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10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

DISSECÇÃO ESPONTÂNEA DE ARTÉRIA CORONÁRIA: CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS E ANGIOGRÁFICAS DO REGISTRO BRASILEIRO SCALIBUR

Paula Santiago Teixeira, Carlos Campos, J. Ribamar Costa Jr., Marcos Danilo de Oliveira, Henrique B. Ribeiro, José A Mangione, Bárbara Freitas, Jamil Cade, Adriano Caixeta
HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN - - SP - BRASIL, UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil, INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL, Hospital Samaritano Paulista - São Paulo - São Paulo - Brasil, INSTITUTO DANTE PAZZANESE DE CARDIOLOGIA - - SP - BRASIL

Introdução: A dissecção espontânea de artéria coronária (SCAD do inglês spontaneous coronary artery dissection) é uma causa não aterosclerótica de síndrome coronariana aguda que acomete preferencialmente mulheres jovens.  De fisiopatologia ainda não completamente conhecida, pode manifestar-se sob a forma de infarto agudo do miocárdio com (IAMCSST) ou sem (IAMSSST) supradesnivelamento do segmento. A SCAD é a principal causa de infarto agudo do miocárdio no ciclo gravídico-puerperal. A descrição demográfica e angiográfica da SCAD de coorte brasileira é pouco explorada. Objetivo: Avaliar o perfil demográfico, angiográfico e os gatilhos de SCAD em uma população brasileira. Material e métodos: Estudo retrospectivo e prospectivo de pacientes com SCAD envolvendo 22 Hospitais no Brasil. Revisão de base de dados do REDcap no período de 2010-2021. Resultados: Registraram-se 166 pacientes com SCAD, com idade média de 50,15 ± 10,56 anos (29 a 84 anos) com incidência prevalente no gênero feminino (85%). Os pacientes apresentavam nenhum ou poucos fatores de risco para doença arterial coronariana, incluindo hipertensão arterial (25%), história familiar de doença coronariana precoce (22%), dislipidemia mista (16%) e tabagismo ativo (16%). Seis por cento dos casos de SCAD ocorreram no ciclo gravídico puerperal. A maioria dos casos de SCAD manifestou-se como IAMSSST (47%), com IAMCSST (38%) e angina instável (12%) (Tabela). Entre os fatores desencadeantes, presentes em 57,8% dos casos, destacaram-se: estressor emocional (21,08%) e menopausa (18,07%). A displasia fibromuscular, não investigada sistematicamente, foi observada em poucos casos (4,21%), gestação (0,6%), puerpério (10,24%), estressor físico (5,42%), uso de terapia hormonal (3,60%) e doenças psiquiátricas (2,40%). A artéria descendente anterior foi o vaso mais acometido (57%), seguida pela coronária direita (14,45%). Complicações graves mais frequentes foram choque cardiogênico (3,28%) e parada cardiorrespiratória (0,7%). Conclusão: Nesta grande coorte brasileira, a SCAD acometeu preferencialmente pacientes jovens e mulheres. A frequência de fatores de risco clássicos para doença arterial coronariana foi pouco comum, sendo o gatilho predominante o estressor emocional. Esta entidade deve ser considerada como diagnóstico diferencial na síndrome coronariana aguda, principalmente em mulheres jovens (< 50 anos).

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021