SOCESP
10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Injúria miocárdica após substituição da válvula mitral: comparação da abordagem transapical vs substituição cirúrgica convencional

Mauricio Felippi de Sa Marchi, Gabriel Kanhouche , Vitor Emer Rosa , Pedro Felipe Gomes Nicz, Pablo Maria Pomerantzeff , Alexandre Abizaid , Fábio Sandoli Brito Jr, Flavio Tarasoutchi , José Honório de Almeida Palma da Fonseca , Henrique Barbosa Ribeiro
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução

A liberação de biomarcadores de injúria miocárdica após a retroca cirúrgica de bioprótese mitral  (REDO) com disfunção é comum. Recentemente, o implante de válvula mitral transcateter em prótese cirúrgica mitral disfuncionante (valve-in-valve [ViV]) surgiu como alternativa. O objetivo deste estudo foi avaliar a incidência e impacto clínico do aumento de biomarcadores de necrose miocárdica em pacientes submetidos ao ViV mitral vs. REDO.

Métodos

Entre 2014 e 2020, 218 pacientes consecutivos com disfunção importante de bioprótese mitral foram incluídos, dos quais 79 pacientes foram submetidos ao ViV mitral (via acesso transapical) e 139 ao REDO.  A CK-MB e a troponina I (TN-I) foram colhidas no período basal e em 6, 12, 24, 48, e 72 horas após a intervenção da válvula mitral, sendo avaliado o valor máximo de aumento em relação à referência. Os desfechos foram determinados de acordo com o Mitral Valve Academic Research Consortium Criteria (M-VARC).

Resultados

No grupo REDO, a CKMB e a TN-I elevaram-se em todos os pacientes, ao passo que no grupo ViV essa elevação ocorreu em 82,3% e 88,6% dos pacientes, respectivamente. O pico de CKMB e de TN-I ocorreu em 24 horas em ambos os grupos, sendo que ambas as elevações foram maiores em relação ao limite do valor de referência entre os pacientes do grupo REDO vs. ViV (15,1±14,1 vs. 6,4±7,7 para CKMB, respectivamente, com p<0,001); 496±369 vs. 325±371 para troponina I, respectivamente, com p<0,001. Na análise multivariada, foram preditores de maior elevação tanto de CKMB quanto de TN-I, a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e a retroca cirúrgica (todos com p≤0,001). Os desfechos de curto prazo foram similares entre os grupos, ressaltando-se uma taxa de mortalidade intrahospitalar de 12,7% no grupo ViV e de 17,3% no grupo REDO (p=0,367). Em mediana de segmento de 12 meses, a taxa de mortalidade foi de 19,4% e de 20,3% nos grupos REDO vs. ViV respectivamente (log-rank p=0,765). Por análise multivariada, foram preditores de maior mortalidade o aumento de biomarcadores (CK-MB ou TN-I), idade avançada, FEVE, sangramento maior e a insuficiência renal. A REDO não foi preditora de mortalidade.

Conclusões

 

A elevação de biomarcadores denotando injúria miocárdica periprocedimento foi frequente em pacientes submetidos a intervenção, sendo ~2 vezes maior no grupo REDO em relação ao ViV. Entretanto, independente do tipo de tratamento (REDO vs. ViV) foi a maior elevação de biomarcadores que se associou ao aumento de mortalidade no seguimento, bem como fatores clínicos e complicações periprocedimento.

Realização e Secretaria Executiva

SOCESP

Organização Científica

SD Eventos

Agência Web

Inteligência Web
SOCESP

41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021