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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Um caso em que tudo indicava miopericardite porém a ressonância mostrou outro diagnóstico

Bruna Dóris, Even Edilce Mol , Laís Contin, Augusto Viana Franco de Oliveira, Tiago Augusto Magalhães, Thiago Santos Rosa, Eduardo Leal Adam
Hospital de Clínicas do Paraná - Curitiba - Paraná - Brasil

INTRODUÇÃO: O diagnóstico diferencial entre miopericardite e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) pode ser desafiador. As características clínicas e laboratoriais destas patologias são semelhantes, sendo que ambas as condições elevam a troponina e podem cursar com supradesnivelamento do segmento ST. RELATO DE CASO: Paciente masculino de 30 anos, sem comorbidades conhecidas, foi encaminhado ao serviço de cardiologia por dor torácica opressiva de forte intensidade em região retroesternal que piorava com o decúbito e melhorava com a ortostase, com mais de 24 horas de evolução. Na admissão, o paciente apresentava eletrocardiograma com supradesnivelamento do segmento ST de parede anterior, infradesnivelamento do segmento PR em D1 e D2 e ausência de onda Q (imagem 1), e elevação de troponina (valor máximo de 2880pg/ml), corroborando para o diagnóstico de miopericardite. A ecocardiografia transtorácica evidenciou hipocinesia difusa associada a disfunção biventricular grave (fração de ejeção ventricular esquerda de 42% e TAPSE de 14), também compatível com miocardite. Em exames sorológicos de rotina do internamento, realizado diagnóstico de HIV, sendo uma possível etiologia do quadro. Entretanto, a Ressonância Magnética do Coração (RMC) mostrou realce tardio subendocardico em segmento anterior medial (território de primeiro ramo diagonal [DG1]), padrão compatível com infarto miocárdico não transmural e viabilidade preservada (Imagem 2). Na cinecoronariografia constatada lesão crítica em DG1 e optado por tratamento clínico em virtude do calibre fino do vaso (Imagem 3). DISCUSSÃO: A RNM miocárdica tem tido aplicabilidade crescente graças a sua capacidade de diferenciar miocardiopatias isquêmicas de não isquêmicas, dentre elas a etiologia inflamatória. Por mais que na miocardite a sensibilidade deste método seja variável conforme o tempo de apresentação do quadro, é um exame fundamental para avaliação diagnóstica e prognóstica. O paciente em questão foi inicialmente manejado como miocardite, entretanto, a RMC evidenciou infarto na topografia de DG1. Este diagnóstico isoladamente não justificaria tamanha disfunção ventricular, o que nos leva a concluir que neste caso há associação de dois diagnósticos: IAM tipo 1 de DG1 e miocardiopatia secundária ao HIV.

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021