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10 a 12 de junho de 2021

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Infarto da gordura pericárdica: um diagnóstico diferencial de precordialgia

Carolina Pinheiro Gonçalves Gomes, Aloisio Marchi da Rocha, Everli Pinheiro de Souza Gonçalves Gomes
PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS – PUCAMP - - SP - BRASIL

Introdução: O infarto da gordura pericárdica (IGP) é benigno, raro, com etiologia desconhecida. Há 60 casos na literatura. Deve fazer parte do diagnóstico diferencial (DD) de precordialgia. Relatado em 1957 por Jackson et al. e visto na tomografia de tórax (TT) em 1988 por Stephens et al.

Descrição do caso: 57 anos, mulher, branca. Mãe revascularizada aos 48 anos. Antecedentes pessoais: esofagite. Paciente com dor precordial progressiva há 3 semanas foi ao Pronto Socorro (PS) por intensificação da dor, em aperto, irradiada para hemitórax e braço esquerdo, piora no decúbito dorsal, palidez e sudorese. Exame físico normal. Enzimas cardíacas, raio-x de tórax e eletrocardiograma (ECG) normais. Teve alta e 5 dias após voltou ao PS com dispnéia e precordialgia mais intensa. Solicitado angiotomografia de tórax e dímero-D para pesquisa de tromboembolismo pulmonar (TEP). Dímero-D normal e a angiotomografia negativa para TEP, com derrame pleural à esquerda, atelectasia laminar em base esquerda e densificação focal dos planos gordurosos mediastinais junto ao seio cardiofrênico esquerdo, com centro fusiforme gorduroso, espessamento do pericárdio adjacente, compatível com IGP. Teve alta hemodinamicamente estável. Prescrito para dor anti-inflamatórios não esteroides e analgésicos. Após 2 semanas, a TT mostrou reabsorção total do derrame pleural e pequena formação ovalada com centro gorduroso e fina cápsula no seio cardiofrênico esquerdo, anteriormente ao pericárdio, menos evidente do que na TT anterior, sugerindo resolução do IGP.

Discussão: A gordura pericárdica se acumula na porção anterior do coração, sulco interventricular, átrios e superfícies pleurais. Tem maior volume em mulheres, obesos e diabéticos. A fisiopatologia do IGP é incerta, uma hipótese é a torção aguda de um pedículo vascular assim como aumento da pressão intratorácica por manobra de Valsalva com elevação da pressão capilar e venosa. É autolimitada, durando dias, semanas ou meses. A apresentação mais comum é a dor torácica pleurítica aguda. Não há predileções por idade ou sexo. Pode estar associada a vertigem, síncope, dispneia, taquicardia e sudorese. Exame físico, enzimas cardíacas e ECG são geralmente normais. O diagnóstico final é dado por uma TT. O tratamento é sintomático.

Conclusão: O IGP é subdiagnosticado, por isso, pouco relatado. Deve-se levá-lo em conta no DD de precordialgia, após excluir as causas mais comuns e mais graves como TEP e infarto do miocárdio. A TT é fundamental no DD.

 

 

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