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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Síndrome do BRE doloroso em jovem como diagnóstico diferencial de dor anginosa – relato de caso

Athayde GAT, Carvalho LD, Mariz ALF, Pereira RAR, Moura DMC, Targueta GP
Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande - PB - Brasil, Hospital Nossa Senhora das Neves - João Pessoa - Paraíba - Brasil

Introdução: A síndrome do bloqueio de ramo esquerdo (BRE) doloroso é uma entidade definida como a presença de dor torácica associada a um BRE intermitente na ausência de isquemia miocárdica. O mecanismo fisiopatológico da condição ainda permanece incerto, mas admite-se que a provável causa da dor seja em decorrência de dissincronia miocárdica aguda, o que gera um fator de confusão frequente com a dor anginosa.

Descrição do caso: Paciente de 36 anos, sexo masculino, natural dos Estados Unidos da América e cientista da computação, com diagnóstico de neuropatia autoimune em investigação, queixa-se de dor precordial em aperto, sem irradiação, com duração de até 5 minutos, que piorava aos esforços físicos moderados, há meses. Devido a sua neuropatia de base, permanecia maior parte do dia acamado por fadiga crônica, com piora substancial da sua capacidade aeróbica. Procurou auxílio médico cardiológico, sendo solicitado teste ergométrico (TE) para investigação dos sintomas. Seu eletrocardiograma de base apresentava um ritmo sinusal, sem alterações. Durante o TE em esteira, apresentou dor torácica semelhante, associada à taquicardia de QRS largo com morfologia de BRE, com baixa razão de onda S/T precordial e eixo inferior do QRS, iniciada quando a freqüência cardíaca (FC) atingiu 142 bpm, com lentificação progressiva e posterior estreitamento do QRS e retorno ao padrão eletrocardiográfico habitual, quando a FC atingiu 113 bpm (figura 1). Tal taquicardia foi interpretada como taquicardia ventricular durante o exame, motivando sua interrupção. Foi solicitada, então, angiotomografia de coronárias, que descartou estenoses significativas, além de ecocardiograma transtorácico, que se mostrou normal. O paciente foi encaminhado para consulta com arritmologista, sendo diagnosticado BRE induzido por FC durante o TE, associado à dor precordial típica, com características que sugeriram a síndrome do BRE doloroso. Uma ressonância magnética cardíaca comprovou a ausência de doença cardíaca estrutural ou de realce tardio. Foi iniciado metoprolol em dose otimizada, com melhora importante dos sintomas, encontrando-se assintomático no momento.

Conclusão: O presente caso demonstrou um paciente com síndrome do BRE doloroso, uma entidade rara e por vezes subdiagnosticada. A ausência de isquemia miocárdica e de lesão coronariana documentadas eleva a suspeita clínica de tal condição. Seu mecanismo fisiopatológico e seu manejo clínico ainda são incertos, mas o uso de betabloqueadores é aventado para alívio sintomático do quadro de dor precordial.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021