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10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Origem anômala da artéria descendente anterior associada a aterosclerose.

Marcos Merula de Almeida, Luiz Antônio Machado César, Noemi Rocio Andrade Alban, Luís Henrique Wolff Gowdak
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

 

A artéria descendente anterior (DA) com origem anômala é apresentação pouco frequente em indivíduos com anatomia cardíaca normal. Sua associação é encontrada mais comumente na tetralogia de Fallot, transposições complexas e dupla via de saída do ventrículo direito. A relação com a aterosclerose é pouco descrita na literatura.

Paciente 69 anos, masculino, com angina típica, inicialmente CCS (Canadian Cardiovascular Society) 1 com evolução para CCS 3 durante os últimos 2 anos. Hipertenso prévio e diabético não insulino dependente.  Optado por estratificação não invasiva. A angiotomografia das coronárias apresentou redução luminal importante nas artérias diagonal (Dg), circunflexa (Cx) e coronária direita (CD). Duplicação da DA, tipo IV, com avaliação luminal limitada. Cintilografia miocárdica com isquemia estresse induzida nas paredes: inferior (segmento basal) e inferosseptal (segmento basal) de pequena extensão. Fração de ejeção do ventrículo esquerdo 63% (repouso) e 67% (pós estresse). Na análise eletrocardiográfica do método supradescrito, houve taquicardia ventricular não sustentada no esforço e ritmo idioventricular acelerado na recuperação, sendo optado por cateterismo cardíaco. O mesmo evidenciou obstrução triarterial: tronco de coronária esquerda (TCE) 30% distal; DA: 70% médio com saída anômala do seio coronariano direito; Cx 90% proximal; primeira marginal 100% proximal e CD 80% difusa. Optado por tratamento clínico otimizado com ácido acetilsalicílico, controle de frequência cardíaca e arritmias com beta bloqueador, uso de nitrato, controle pressórico e uso de hipolipemiantes de alta potência. Melhora da dor anginosa e sem eventos coronários agudos durante a evolução clínica.

 

A origem anômala das artérias coronárias, apesar de rara, apresenta complicações como morte súbita e aterosclerose. A Cx com origem no seio coronariano direito ou na CD é a anomalia coronariana mais comum. A anomalia do TCE tem maior risco aterosclerótico, devido ao ângulo agudo ostial comprimindo o fluxo sanguíneo e ao espasmo arterial secundário à lesão endotelial. A descrição da DA com saída anômala do seio coronariano direito como fator contribuinte para aterosclerose é pouco relatada na literatura. A fisiopatologia envolve a alteração no fluxo sanguíneo com lesão endotelial. Frequentemente, os exames provocativos de isquemia são negativos ou conflitantes. A estratificação anatômica, portanto, é importante para definição do risco e tomada de decisão quanto ao manejo clínico cirúrgico.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021