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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Insuficiência mitral atrial: uma fisiopatologia nova para uma doença conhecida

Layara Fernanda Lipari, Fernanda Queiroz Soares, Thiago Vicente Pereira, Bernardo de Lima Siqueira, Luciana Dornfeld Bichuette, Henrique Vicente Haussauer Junior, Daniella Cian Nazzetta, Fernanda Castiglioni Tessari, Tarso Augusto Duenhas Accorsi, Flávio Tarasoutchi
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A insuficiência mitral (IM) é a valvopatia mais prevalente e pode ter etiologia primária, por alteração da válvula propriamente dita, ou secundária (funcional). A fisiopatologia mais mencionada para IM secundária se relaciona ao movimento de tethering pela dilatação ventricular ou isquemia de músculo papilar. Outra fisiopatologia envolve a sobrecarga atrial, que pode ocorrer no contexto da dilatação atrial e da insuficiência cardíaca (IC) de fração de ejeção preservada, ambas cada vez mais comuns. Apesar disso, sua frequência ainda é desconhecida e seu tratamento ainda não está estabelecido. Relatamos um caso de IM atrial e breve revisão de literatura. 

Relato de Caso: Paciente masculino, 67 anos, com relato de IC iniciada em 2018, internado com descompensação por fibrilação atrial (FA) de alta resposta. Realizado ecocardiograma (ECO), que evidenciou disfunção de ventrículo esquerdo e IM importante. Cateterismo não apresentava lesões obstrutivas. Iniciado tratamento para IC, controle de frequência e anticoagulação. Após otimização terapêutica, exame físico não evidenciava alterações compatíveis com IM. Novo ECO mostrou aumento moderado do átrio esquerdo (AE), função biventricular normal e IM moderada. Paciente manteve seguimento por 3 anos, com classe funcional I mantida. Após esse período, realizado novo ECO, que evidenciou aumento discreto do AE e IM discreta, função ventricular normal. Os diâmetros ventriculares foram semelhantes nos 3 ECOs realizados.

Discussão e conclusão: Como a fisiopatologia relacionada a dilatação do ventrículo e tracionamento apical dos papilares é mais discutida, a dilatação atrial é mais comumente vista como consequência da IM. Contudo, seu papel como força motriz da IM - seja pela FA ou pela dilatação do anel mitral - já foi questionado. Pacientes submetidos a ablação de FA obtiveram uma melhora da IM, acompanhada por modificações nas dimensões tanto do AE quanto do ânulo mitral.

Por ser uma etiologia ainda pouco comentada, o ônus recai sobre o fato de não haver diferenciação entre a IM secundária e a IM atrial, especialmente no que tange ao manejo destes pacientes. 

No caso da IM secundária, o tratamento se fundamenta no manejo da causa base, ou seja, a IC, o remodelamento ventricular e a disfunção sistólica. Para a IM atrial, contudo, ainda não há recomendações específicas, mas alguns trabalhos sugerem que a redução do anel mitral e o controle de ritmo podem ser importantes no tratamento. Desta forma, a identificação deste mecanismo pode nortear o tratamento e interromper a espiral de evolução da doença.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021