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Gastos regionais com febre reumática em adultos no Brasil e taxa de mortalidade: há correlação?

Silvio César Alves do Nascimento Júnior , Karine Corcione Turke, Karimi El Bacha, Miguel Moretti, Carla Baister Lantieri, João Fernando Monteiro Ferreira, Antonio Carlos Palandri Chagas
Faculdade de Medicina do ABC - Santo André - SP - Brasil

INTRODUÇÃO: A febre reumática é uma doença prevalente em nosso meio, com uma incidência de 30.000 pessoas/ano no Brasil. Essa doença tem relação direta com fatores ambientais e econômicos, e sabe-se que é uma doença com maior prevalência em regiões com menores condições financeiras. Essa doença pode ser responsável por diversas sequelas a longo prazo. Existem poucos estudos que correlacionam gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com os óbitos por febre reumática em adultos. O objetivo desse estudo é correlacionar os gastos por febre reumática no SUS e taxa de mortalidade tardia nas diferentes regiões administrativas do Brasil.

 

MÉTODO: Estudo ecológico. Os dados foram coletados através da plataforma DATASUS. Foram avaliados os gastos do SUS com febre reumática e os óbitos por essa doença através do Sistema de Informações Hospitalares para cada região administrativa do país em adultos com mais de 20 anos. Os óbitos foram ajustados por faixa-etária e foram estratificados por sexo, faixa-etária e região. Para as correlações, foi utilizado o teste de Pearson ou Spearman a depender da normalidade dos dados, avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk.

 

RESULTADO: Durante o período de 2008 a 2016, foram notificados 6254 óbitos por febre reumática no Brasil em adultos com mais de 20 anos, sendo a região centro-oeste a de maior taxa de mortalidade (0,63:100.000). Não foi encontrada correlação entre taxa de mortalidade geral e gastos pelo SUS com febre reumática (cor: 0.374, p=0.32). Foi observada uma correlação forte e positiva entre mortalidade e gastos na região nordeste (cor: 0.853, p=0.003) e centro-oeste (cor: 0.757, p=0.018). Ademais, não foi observada correlação entre mortalidade e Índice de desenvolvimento humano (cor: 0.552, p= 0.333). Não foram observadas correlações ao estratificar por faixa-etária ou sexo.

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO: Neste estudo, foi possível observar que não houve correlação entre gastos regionais e mortalidade tardia por febre reumática no país, entretanto, essa correlação foi encontrada nas regiões nordeste e centro-oeste. Mediante o exposto, essas correlações mostram um alto gasto associado a alta mortalidade nessas regiões. Logo, podemos supor que a despeito do investimento que esses locais recebem, existe uma alta taxa de mortalidade por febre reumática em adultos, podendo refletir uma distribuição pouco efetiva dos recursos nessas regiões.

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