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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Pericardite constritiva pós-traumática como causa de ascite refratária: relato de caso

Luiz Augusto de Andrade Costa, Guilherme Flora Vargas, Aislan Henrique Bezerra Pinheiro, Paulo Mateus Sanches de Souza, Wilma Noia Ribeiro, Carlos Alberto Teles, João Nelson Rodrigues Branco, Walter José Gomes, Walace de Souza Pimentel
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil

Introdução: A pericardite constritiva é uma doença rara e cujo diagnóstico, muitas vezes, é tardio pela baixa suspeição clínica e por ter uma apresentação que se assemelha a outras doenças cardíacas. Sua identificação e tratamento precoces são capazes de impedir complicações severas e muitas vezes irreversíveis.

Caso: Paciente de 20 anos, sexo masculino, natural e procedente de São Paulo procurou o pronto socorro queixando-se de dispneia progressiva aos esforços, distensão abdominal e edema em membros inferiores, com quadro iniciado há 18 meses. Não era portador de doenças crônicas ou fazia uso contínuo de medicações. Era etilista social com ingesta de cerveja aos finais de semana (três garrafas/dia). No exame físico apresentava estase de jugular bilateral, sinais de ascite e presença de uma cicatriz horizontal de aproximadamente quatro centímetros em região subxifóide originária de ferimento por arma branca há 10 anos. Exceto pela presença de hipoalbuminemia, os exames laboratoriais eram normais, inclusive com sorologias para HIV e hepatites não reagentes. No ecocardiograma transtorácico e tomografia computadorizada (TC) de abdômen não foram observadas alterações.  A ressonância nuclear magnética (RNM) de abdômen revelou sinais de doença hepática crônica, achado também identificado na biópsia hepática, sendo descartados neoplasia, siderose ou colestase nesse exame. Uma vez que a TC de tórax revelou espessamento pericárdico, optou-se pela realização da RNM do coração que evidenciou espessamento dos folhetos pericárdicos com sinais de restrição ao enchimento ventricular. Também foi observada a presença de realce tardio epicárdico no segmento médio da parede ínfero-lateral do ventrículo, sugestivo de sequela de processo inflamatório. O paciente foi submetido à pericardiectomia e o resultado do exame anatomopatológico da peça cirúrgica revelou pericardite crônica inespecífica, além de ausência de granuloma ou neoplasia nesse material. Na avaliação ambulatorial após intervenção, o paciente apresentava-se com melhora dos sintomas clínicos e com ascite remanescente, decorrente da insuficiência hepática crônica estabelecida.

Conclusão: O presente relato realça a dificuldade que existe para o diagnóstico da pericardite constritiva, o que contribui ao longo do tempo para o estabelecimento de complicações, como a ascite persistente apresentada por esse paciente.

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