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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Pentoxifilina na Cardiomiopatia chagásica crônica: efeito do uso prolongado sobre a perfusão, função ventricular e inflamação miocárdica em modelo experimental em Hamsters

Tanaka, D.M., Fabricio, C.G., Marin-Neto, J.A., Barros-Filho, A.C.L., Resende, A.A., Mejia, J., Higuchi, M.L., Cunha-Neto, E., Romano, M.M.D., Simões, M.V.
FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO - Ribeirão Preto - SP - Brasil

Introdução: Distúrbios de perfusão miocárdica são frequentes na cardiomiopatia chagásica crônica (CCC) e podem estar associados com a inflamação e desenvolvimento da disfunção sistólica ventricular esquerda (DSVE). Objetivamos avaliar os efeitos do uso prolongado da pentoxifilina (PTX) sobre a perfusão miocárdica, função sistólica do ventrículo esquerdo e inflamação em modelo experimental de CCC em hamsters. Métodos: Foram investigados 3 grupos de hamsters fêmeas: animais não infectados e tratados com salina (CO=9); infectados com T cruzi e tratados com salina (CH+SL, n=12) e infectados e tratados com PTX (CH+PTX, n=12). Aos 6 meses pós infecção (condição basal) e após 60 dias de PTX (20mg/Kg, ip) ou SL, os animais foram submetidos ao ecocardiograma e à cintilografia de perfusão miocárdica por 99mTc-Sestamibi de alta resolução. A porcentagem da área de defeitos de perfusão (DP) foi baseada na construção de mapas polares. Após eutanásia foi quantificado o número de núcleos de células inflamatórias por mm² e a expressão gênica de TNF-alfa. Resultados: No basal, as áreas de DP foram similares entre os grupos (CO: 0,0±0,0%, CH+SL: 0,8±1,6%, CH+PTX: 1,9±3,0%, p>0,05), assim como a FEVE (CO: 53,4±5,6%, CH+SL: 47,0±10,1%, CH+PTX: 53,9±6,5%, p>0,05). Após o tratamento houve aumento significativo dos DP somente no grupo CH+SL (0,8±1,6 vs 9,4±9,7%, p>0,05), enquanto o grupo CH+PTX exibiu áreas de DP similar ao grupo CO, 2,7±2,7% e 0,0±0,0%, respectivamente (p>0,05). Houve redução da FEVE em ambos os grupos infectados (CH+SL: 40,0±13,7% e CH+PTX: 42,7±9,0%, p<0,05), mas não no grupo CO (53,4±5,6%). A análise histológica revelou maior número de núcleo de células inflamatórias nos grupos CH+SL, 615,1±133,0 cel/mm² e CH+PTX, 395,7±88,3 cel/mm², quando comparado ao CO, 193,0±25,7 cel/mm², p<0,001, porém o grupo CH+SL apresentou maiores valores quando comparado ao grupo CH+PTX, p<0,001. A expressão de TNF-alfa foi maior no grupo CH+SL (2,5±1,7) quando comparado ao grupo CO (0,9±0,4), mas semelhante ao grupo CH+PTX (2,4±1,7), p>0,9. Foi observada correlação moderada entre o DP e no células inflamatórias e FEVE, p<0,0001; r=0,6 e -0,7, respectivamente, e entre a FEVE e no células inflamatórias (r=-0,4, p=0,01). Conclusão: O uso prolongado de PTX foi efetivo em reduzir a inflamação e impedir a progressão dos DP avaliados in vivo, porém, não impediu a progressão da DSVE neste modelo de CCC. Sugere-se que os DP miocárdicos possam ser um marcador substituto para a presença de inflamação, permitindo monitorar a progressão da doença.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021