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10 a 12 de junho de 2021

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Síncope por pausa sinusal devido uso de Talidomida em paciente oncológico: relato de caso

Rafael Alves da Silva, Rosiane Viana Zuza Diniz, Ademar Alexandre de Morais, Júlio César Vieira de Sousa, Daniel Vinicius Rodrigues Pinto, Elineia Regia Vieira
Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal - RN - Brasil, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Natal - RN - Brasil

Introdução: O aumento da expectativa de vida da população vem elevando a prevalência de neoplasias em geral. O avanço da medicina permite que novos fármacos sejam utilizados no tratamento dessas patologias. A cardiotoxicidade é um dos efeitos colaterais mais significativos. Este trabalho relata um caso de síncope por pausa sinusal induzida pelo uso de Talidomida. Descrição do caso: M. F. S. B., masculino, 63 anos, previamente hipertenso, inicia quimioterapia para tratamento de mieloma múltiplo com protocolo VAD (Vincristina, Adriamicina e Dexametasona). Uso crônico de amlodipina 10mg/d e metoprolol tartarato 50mg/d. Bom estado geral, hipocorado, em CF I, com PA: 144x86 mmHg, FC= 84 bpm, FR= 22ipm. RCR em 3T, com B4, com hiperfonese de A2 e discreto sopro de regurgitação mitral (+/6+). Sem outras alterações do exame físico. ECG com ritmo sinusal, eixo desviado para esquerda, ZEI em região inferior, QTc 426 msec. Ecocardiograma com disfunção diastólica tipo I, função sistólica preservada (FEVE=69%), sem alteração de contração segmentar. Foi optado pela substituição dos antihipertensivos por enalapril 20mg/d e carvedilol 6,25mg/d. Boa tolerância ao incremento de doses do carvedilol até 50mg/dia. Seis meses após, paciente submetido a TMO, iniciando uso de talidomida quando apresentou episódios sucessivos de síncope do tipo desliga-liga, o primeiro associado a TCE. Sem hipotensão postural ou outras alterações, mantendo ritmo cardíaco regular com B4. Iniciou uso de fludrocortisona 25mcg/dia, associada a medidas não farmacológicas para síncope vasovagal e interrupção do uso do betabloqueador, mantendo sintomatologia. Realizou cateterismo cardíaco, tilt test e EEF normais. Holter 24h com dois episódios de pausas maiores que 2 segundos, a mais longa com 18 segundos, não associada à sintomas. Por persistência dos episódios sincopais, implantado marcapasso átrio-ventricular definitivo, evoluindo com resolução completa das síncopes. Discussão: A talidomida compõe o esquema terapêutico para o mieloma múltiplo e tem como efeitos adversos fenômenos tromboembólicos e cardiotoxicidade relacionada especialmente às bradiarritmias, chegando um percentual de até 27% em algumas séries de casos. Neste paciente, seu uso parece ter sido o principal fator para os eventos sincopais. O uso de imunomoduladores de segunda geração, como a Lenalidomida têm apresentado um perfil de reação adversa mais tolerável, com menor relato de bradiarritmias. Conclusão: O uso quimioterápicos e antineoplásicos requer atenção para monitoramento de cardiotoxicidade.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021