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10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Vale a pena ressincronizar pacientes com miocardiopatia chagásica?

William Neves de Carvalho, José Victor de Sá Santos, Arthur Cardoso Tolentino, Pollianna de Souza Roriz, Thais Aguiar do Nascimento, Luiz Carlos Santana Passos
Hospital Ana Nery - Salvador - Bahia - Brasil

Introdução: A insuficiência cardíaca é uma das suas principais causas de mortalidade na cardiopatia chagásica crônica (CCC). A terapia de ressincronização cardíaca (TRC) tem se mostrado efetiva no tratamento da doença, especialmente em QRS largo (150ms) às custas de bloqueio de ramo esquerdo. Apesar dos resultados positivos em diversas etiologias, a resposta da TRC na CCC é divergente e ainda incipiente na literatura. Cerca de 25 a 30% dos pacientes não respondem à TRC. Aventa-se como causa de má resposta na CCC o bloqueio de ramo direito – predominante nesta população. Objetivo: Avaliar resposta clínica e ecocardiográfica em chagásicos submetidos à TRC. Métodos: Estudo unicêntrico, de coorte de pacientes chagásicos, submetidos à TRC, sendo avaliada a resposta clínica (classe funcional - CF) e ecocardiográfica através da análise de remodelamento reverso em 1 ano pós-implante. Os parâmetros utilizados foram redução em 20% do volume sistólico e diastólico final do ventrículo esquerdo (VSFVE e VDFVE), incremento de 5% na fração de ejeção do VE (FEVE) associados a redução de pelo menos 1 ponto na CF. Análise estatística: Kolmogorov-Smirnov foi utilizado para verificar a distribuição normal das variáveis contínuas. As variáveis com distribuição normal foram descritas pelas médias e desvios. As variáveis categóricas foram descritas como frequências e porcentagens. Resultados: Foram incluídos 49 pacientes no período. A idade média da população do estudo foi de 60 (+ 10,7) anos, sendo 51% homens; FEVE média de 28% (+9) e 33 (67,3%) CF III/IV pré-implante. Destes, 17 (34,7%) utilizavam previamente marcapasso ou cardiodesfibrilador implantável. As comorbidades mais frequentes foram hipertensão arterial (75,5%), 3 ou mais comorbidades (42,9%), diabetes mellitus II (38,8%) e doença renal crônica (37,5%). As medicações em uso mais prevalentes foram inibidores da enzima conversora de angiotensina/bloqueadores dos receptores de angiotensina/sacubitril-valsartana (87,4%), furosemida (87,4%) e betabloqueador (85,7%). Do total, 42 (85,7%) pacientes apresentaram pelo menos um dos critérios de resposta avaliados e 18 (37%) atingiram todos os critérios. O parâmetro com melhor desempenho foi redução do VDFVE, presente em 30 (61,2%), seguida pela redução de pelo menos um ponto na CF em 28 (57,1%), redução de VSFVE em 28 (57%) e melhora da FEVE em 20 (40,8%). A taxa de mortalidade foi de 10 (20,4%) em 1 ano de seguimento. Conclusão: A TRC,  na amostra estudada, mostrou-se efetiva com base no padrão de resposta habitualmente encontrado na literatura.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021