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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Endocardite por Coxiella brunetti em paciente com prótese biológica mitral

Fernanda Queiroz Soares, Thiago Vicente Pereira, Layara Fernanda Lipari, Barbara de Almeida Lessa Castro, Guilherme Hideaki Higuchi, Rinaldo Focaccia Siciliano, Guilherme Sobreira Spina, Flávio Tarasoutchi
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

INTRODUÇÃO: Coxiella brunetti é o patógeno mais frequentemente encontrado nas endocardites com culturas negativas. Apesar disso, há poucos relatos da doença no Brasil, acreditando-se que sua ocorrência seja maior do que se imagina.

CASO CLÍNICO: Uma mulher de 25 anos comparece em primeira consulta ambulatorial referindo um quadro de febre diária e dor articular, principalmente em ombros e tornozelos, há 3 meses, associada a dispneia progressiva e perda de peso não intencional de 4Kg nesse período. Ela trabalhava como técnica veterinária em uma fazenda e possuía antecedente de febre reumática diagnosticada aos 15 anos de idade. Em 2017 foi submetida a uma troca valvar mitral por prótese biológica e vinha em uso de profilaxia secundária com Penicilina regularmente. Ao exame físico, apresentava PA=110x60mmHg, FC=94bpm, com ritmo cardíaco regular e presença de sopro sistólico regurgitativo em foco mitral, sem outras alterações relevantes. A paciente foi então encaminhada ao pronto-socorro com suspeita de endocardite infecciosa. Eletrocardiograma de entrada mostrava sinais de sobrecarga ventricular esquerda e alteração difusa da repolarização ventricular. Ecocardiograma transtorácico evidenciou uma massa hiperecogênica basculante aderida no folheto posterior da válvula mitral, na face atrial, medindo cerca de 11x5mm, sem disfunção ventricular. Tomografia computadorizada do corpo inteiro não mostrou sinais de embolização periférica. Devido estabilidade clínica, a paciente foi mantida sem antibióticos até resultado das primeiras hemoculturas que, no entanto, vieram negativas. Diante disso, foi realizada a hipótese de febre Q e a sorologia para Coxiella brunetti veio positiva. Foi iniciado tratamento com Doxiciclina e Hidroxicloroquina e a paciente evoluiu bem, sem necessidade de realizar nova cirurgia.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO: Estima-se que até 30% das endocardites apresentam culturas negativas. Destas, a infecção por Coxiella brunetti, um bacilo gram-negativo intracelular frequentemente encontrado em bois e cabras, pode estar presente em até 10% dos casos. Estudos mostram que o diagnóstico é realizado em média somente após 5 a 18 meses do início dos sintomas e, dos pacientes com lesão valvar prévia, como representado neste caso, aproximadamente 40% dos que adquirem a bactéria desenvolvem endocardite. Com a agropecuária em expansão no Brasil, associada ao quadro clínico crônico e desconhecido por grande parte dos médicos, é possível que esta doença venha sendo progressivamente subdiagnosticada.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021