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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Takotsubo e síndrome do QT longo adquirido: Relato de caso

Lais de Oliveira Toledo, Bruno Moreira dos Santos, Bruna Gonçalves Gustinelli, Tan Chen Wu, Sávia Christina Pereira Bueno, Luciana Sacilotto, Esteban W. R. Rivarola, Denise Hachul, Francisco Carlos da Costa Darrieux, Maurício Scanavacca
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução:  A síndrome de Takotsubo (TTS) é um diagnóstico diferencial de síndrome coronariana aguda, com fisiopatologia complexa associada ao sistema autonômico simpático. As alterações eletrocardiográficas incluem elevação do segmento ST, acentuada inversão da onda T anterior e prolongamento do intervalo QT, podendo causar arritmia ventricular, com risco de morte súbita.

 

Relato de caso: Mulher de 73 anos, admitida via pronto socorro por dor precordial opressiva associada a mal-estar, diaforese e palidez, após ter passado por estresse em viagem aérea com turbulências. Com antecedente de fibrilação atrial paroxística submetida a ablação prévia, hipertensão arterial, dislipidemia, síndrome dispéptica. Na avaliação inicial, foi observada PA de 156/77 mmHg, FC de 102 bpm, taquipneia, saturando 88%, com estertores crepitantes bibasais na ausculta pulmonar. O ECG mostrava supradesnivelamento de segmento ST em derivações V2 e V3 (figura 1). Submetida a cineangiocoronariografia que não evidenciou lesões coronarianas significativas, porém, com alteração de mobilidade segmentar sugestiva de Takotsubo. O ecocardiograma demonstrou FEVE de 40%, com acinesia apical, hipocinesia dos segmentos médios das paredes septal, lateral e anterior e hipercontratilidade nos segmentos basais. No ECG de controle realizado após 24 hs do evento agudo, notou-se modificação da repolarização, com inversão difusa de onda T e intervalo QT longo (QTc de  494 ms) (figura 2). Pelo diagnóstico de QT longo adquirido decorrente do TTS, foi prescrito bisoprolol 2,5 mg, além da medicação para disfunção ventricular e controle de eletrólitos, com reposição de magnésio e potássio. Persistiu com intervalo QT longo durante a internação, com alta hospitalar no 7º dia. Em seguimento ambulatorial, foi mantido medicação para ICFEr, ajustado com telmisartana 80 mg, bisoprolol 5 mg e espironolactone 25 mg. O ECG de controle após 2 meses do evento agudo apresentou normalização da repolarização ventricular e da contratilidade segmentar no ecocardiograma, com recuperação completa da função ventricular esquerda (FEVE 73%).

 

Conclusão: A síndrome do QT longo pode ser observada em pacientes com síndrome de Takotsubo. O diagnóstico é importante para que o manejo seja adequado, evitando possíveis complicações com implicações prognósticas.

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021