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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Taquicardiomiopatia induzida por taquicardia fascicular incessante e trombos biventriculares: um desafio terapêutico.

Afonso Dalmazio Souza Mario, Sávia Christina Pereira Bueno, Tan Chen Wu, Luciana Sacilotto, Esteban W. R. Rivarola, Francisco Carlos da Costa Darrieux, Cristiano Faria Pisani, Maurício Scanavacca
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A taquicardia fascicular é responsável por 10% das taquicardias ventriculares (TVs) idiopáticas. Ocorre predominantemente em homens com idade entre 15 e 40 anos e o prognóstico é normalmente benigno. Taquicardiomiopatia (TMP) induzida por TV incessante pode ocorrer em até 6 % dos casos e demanda tratamento especializado.

Relato de caso: Paciente de 29 anos, sexo masculino, com palpitações desde os 14 anos. Relato de início de dispnéia aos moderados esforços 6 meses antes do encaminhamento para ambulatório de arritmia por diagnóstico de TV pelo Holter. Sem outras comorbidades. Já na consulta inicial, foi observado o ritmo de TV no ECG feito durante a consulta. Internado para o tratamento, submetido à cardioversão elétrica com sucesso e iniciado amiodarona com controle do ritmo. Realizada RM coração que evidenciou disfunção biventricular importante (FE VE e VD de 18%) com trombos apicais nas duas câmaras. Iniciado, portanto, anticoagulação oral plena, postergando a realização de estudo eletrofisiológico (EEF) e ablação por cateter. Evolui com remodelamento reverso após cardioversão (FEVE 53%), com melhora dos sintomas, mas com persistência dos trombos nos exames de controle. No seguimento ambulatorial, apresentou recorrência da TV (ECG 1), de forma reentrante, com dispneia e em CF III (NYHA). O paciente não estava tomando anticoagulante por problemas sociais nesta ocasião. Internado para reavaliação. O ecocardiograma demonstrou novamente a piora da FEVE (35%) e manutenção dos trombos. Devido a instabilidade clínica e refratariedade ao tratamento farmacológico, aliada ao quadro de TMP com demonstração prévia de reversibilidade de disfunção em ritmo sinusal, foi optado, após a discussão dos riscos com o paciente, a realização de EEF e ablação. Durante o procedimento, foi observado TV fascicular, com ablação do fascículo ântero-superior esquerdo com sucesso. Foi possível evitar o contato do cateter com a área do trombo durante o exame. Mantido com anticoagulação oral após. Assintomático em consulta ambulatorial de 1 mês após procedimento, em ritmo sinusal (ECG 2), com FEVE de 52% e sem trombos.

Conclusão: A TV fascicular habitualmente é de bom prognóstico, entretanto, pode ter forma incessante levando a TMP. Nesse caso incomum, o paciente evoluiu com TMP e trombos ventriculares sem resolução com anticoagulação, o que desafia a realização de EEF e ablação. O conhecimento do mecanismo da TV e o planejamento da equipe possibilitou a tentativa da ablação com sucesso e sem complicações embólicas, com resolução da disfunção ventricular.

ECG 1

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

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