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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

ESPIRITUALIDADE, PERSONALIDADE E ESTADOS DE HUMOR NO HOSPITAL: traços latentes como ferramenta para estratificação de risco em pacientes com doenças graves

Laura S Castro, Altay de Souza, Dalva Poyares, Tracy A Balboni, Harold Koenig, John R Peteet, Fatima Cintra
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil, Dana-Farber Cancer Institute - Harvard Medical School - Boston - MA - EUA, Universidade de Duke - Durham - NC - EUA

Introdução: Evidências sugerem que o efeito da espiritualidade e/ou religiosidade (E/R) sobre desfechos clínicos é controverso. É possível que achados discordantes na literatura se justifiquem em parte pela influência de outros atributos, mediadores do próprio dinamismo que a E/R podem assumir na vivência da doença. Sendo assim, a determinação de perfis que além de E/R combinem traços de personalidade e estados de humor, pode favorecer a compreensão do papel da espiritualidade no cuidado em saúde, constituindo potencialmente uma ferramenta para a identificação de pacientes de maior risco. O objetivo do presente estudo foi determinar traços latentes relacionados à E/R e correlacioná-los a desfechos clínicos.

Métodos: Pacientes (18+ anos) admitidos consecutivamente em duas unidades hospitalares entre Dez/2017 e Ago/2019 foram convidados a participar. As seguintes escalas compuseram os traços latentes: Índice de Religiosidade de Duke, Belief into Action Scale, Functional Assessment of Chronic Illness Therapy - Spiritual Well-Being, Perfil dos Estados de Humor e marcadores reduzidos da personalidade, incluindo Conscienciosidade, Amabilidade e Neuroticismo. Diagnósticos de saída foram definidos pela Classificação Internacional de Doenças; comorbidades e funcionalidade, pelos índices de Charlson e Katz. O desfecho primário foi composto por transferência para UTI, mortalidade intrahospitalar e reinternação e mortalidade em 30 dias.

Resultados: Um total de 289 pacientes foram incluídos (48±16 anos, 52% homens), 82 admitidos por doenças cardiovasculares, 74 por câncer, 54 condições reumatológicas e 79 por outras doenças. Três traços latentes (A, B e C) foram encontrados. O traço C representou 60% dos pacientes, 52% com mais de 50 anos e tendo os níveis mais altos de E/R, melhor humor e menores índices de neuroticismo. O traço A, em contrapartida, representou 24%, tendo 47% mais de 50 anos e os menores níveis de E/R, e humor e neuroticismo intermediários. O traço B representou 16%, a maioria mulheres (64%) e jovens (26% com mais de 50 anos), com níveis intermediários de E/R, o pior humor e maiores índices de neuroticismo. Em análise ajustada para fatores sociodemográficos, tempo de doença, comorbidades, funcionalidade e tempo e causa da internação, o traço B foi um preditor independente para o desfecho primário (OR=2,7; 1,2-6,1).

Conclusão: A determinação de traços latentes de E/R, personalidade e humor influenciou desfechos clínicos em pacientes hospitalizados por doenças graves. O uso dessa ferramenta para estratificação de risco deve ser melhor analisado.

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