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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Miocardite na granulomatose eosinofílica com poliangeíte

Jessica Picinin Cardoso, Milena Miranda Vasconcelos, Guilherme Carneiro Adami Ribeiro, Andressa Narrara Pinheiro Costa Pucci , Raul Serra Valério, Verônica de Jesus Oliveira Barreto, Florence Maria Evangelista Bueno, Marly Maria Uellendahl Lopes, Maria Eduarda Menezes de Siqueira
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil

Introdução: A granulomatose eosinofílica com poliangeíte (GEPA), anteriormente conhecida como síndrome de Churg-Strauss, é uma vasculite sistêmica de pequenos e médios vasos caracterizada por asma, eosinofilia e manifestações extrapulmonares.

Relato de caso: Paciente 54 anos, masculino, antecedente de asma e rinite há 2 anos, iniciou queixa de dispneia aos esforços associado a sibilância, perda ponderal de 10kg e parestesia em pé direito e membros superiores. Na investigação realizado tomografia de seios da face com polipose nasossinusal e pansinusopatia crônica além de hemograma que apresentava 47% de eosinófilos. Paciente apresentava critérios clínicos e laboratoriais para GEPA. Na investigação da dispneia realizado ecocardiograma transtorácico com disfunção sistólica leve (FE 50%) e acinesia inferior basal, eletrocardiograma sem alterações e troponina ultrassensível negativa. Para melhor elucidação diagnóstica solicitado ressonância magnética cardíaca (RMC) que apresentava dilatação moderada do VE, disfunção sistólica moderada (FEVE 39%) devido acinesia do segmento inferior basal e anterolateral medial e presença de realce tardio transmural no segmento anterolateral medial e subendocárdico inferior basal e septal apical (figura 1). A presença de áreas de fibrose focais sem respeitar território coronariano foi sugestivo de processo imuno-inflamatório da vasculite. Após inicio do tratamento com prednisona, ciclofosfamida e medicações para insuficiência cardíaca paciente apresentou melhora importante do quadro.

Discussão: O envolvimento cardíaco na GEPA é relatado em torno de 30-45% dos pacientes, considerado um fator prognóstico para a doença é a principal causa de óbito nesses pacientes. A miocardiopatia por infiltrado eosinofílico é a principal manifestação cardíaca e a RMC é um exame fundamental no diagnóstico dessa patologia pois possibilita análise miocárdica precisa, avaliação pericárdica, inflamação e áreas de fibrose. A fibrose miocárdica parece se desenvolver rapidamente durante o curso da doença e consequentemente um tratamento imunossupressor deve ser iniciado rapidamente para evitar uma progressão para insuficiência cardíaca crônica.

Conclusão: Nos casos de GEPA o envolvimento cardíaco é fator prognóstico importante para a doença e um diagnóstico precoce é fundamental para mudança rápida do tratamento na tentativa de prevenção de sequelas crônicas, a RM é um exame fundamental nessa investigação.

 

 

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021