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10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Existe associação entre intervalo PR longo e a amplitude das ondas “f” em pacientes com fibrilação atrial paroxística?

DALMO MOREIRA, RICARDO HABIB, PAULO COSTA, KLEBER SERAFIM, CLAUDIA FRAGATA, ROGERIO ANDALAFT, LUCIANA ARMAGANIJAN, BRUNO VALDIGEM, LUI ROBERTO MORAES
INSTITUTO DANTE PAZZANESE DE CARDIOLOGIA - - SP - BRASIL

Introdução: O intervalo PR longo associa-se à baixa voltagem da atividade elétrica atrial em pacientes (P) com fibrilação atrial (FA). A amplitude da onda “f” relaciona-se  também com a voltagem atrial e está associada ao maior tempo de duração da FA e maior diâmetro atrial. A história de bloqueio AV de primeiro grau e a baixa amplitude das ondas “f” indicam maior remodelamento atrial e maior chance de recorrência de FA após ablação de vv. pulmonares. Ainda não foi investigado se a duração do intervalo PR guarda alguma relação com a amplitude das ondas “f” em P com FA paroxística. Tal associação poderia ser uma prova de conceito de maior dano à atividade elétrica atrial mesmo em P com FA paroxística.

Objetivo: Avaliar se o bloqueio atrioventricular do primeiro grau associa-se ao registro de ondas “f” de baixa amplitude em P com FA. Essa é uma análise eletrocardiográfica exploratória inicial  que avalia essa condição em P ambulatoriais.

Métodos: Foram revisados exames de Holter de 24 horas de 660 P consecutivos com FA paroxística e selecionados aqueles com intervalo PR >200 ms (Grupo 1, G1) e estabelecida sua associação com a amplitude das ondas “f”. Esses resultados foram comparados ao Holter de P com FA paroxística com intervalo PR normal (intervalo PR ≤ 200 ms; Grupo 2, G2).

Resultados: Dos 660 P, 36 (6%; 25♂, 11♀ com  média de idade  72±8anos, variando entre 34 e 92 anos) eram do G1 e 34 P eram do G2 (17♂, 17♀ com média de idade  64±10 anos, variando entre 41 e 82 anos; p=0,027 para idades de G1 e G2). A duração do intervalo PR foi significativamente maior nos P do G1 do que do G2 (262±35 ms vs. 156±20 ms para G1 e G2 respectivamente; p=0,002).  A média da amplitude das ondas “f” nos P do G1 foi significativamente menor em relação ao dos P do G2 (0,12±0,07mV vs. 0,20±0,05mv; p<0,001), indicando provável maior grau de remodelamento atrial em P com FA paroxística, de maneira similar à forma crônica. A análise de regressão logística mostrou que o aumento do  intervalo PR associou-se à redução significativa da amplitude das ondas “f” (r=0,62;  p<0,001).

Conclusões: a) O intervalo PR longo associa-se à ondas “f” de baixa amplitude em P com FA paroxística; b) essas variáveis devem ter causas comuns e indicam maior remodelamento elétrico e histológico atriais; c) esse conceito deve ser considerado quando da indicação da terapêutica para obtenção do ritmo sinusal (fármacos ou ablação vv. pulmonares); d) esses achados devem ser correlacionados com outras informações clínicas para serem confirmados.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021