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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Prevalência, prognóstico e preditores de complicações neurológicas pós-transplante cardíaco

Camila Caraviello, Daniela Harsanyi, Lígia L B Trevizan, Fernando Bacal, Sandrigo Mangini
FICSAE - FACULDADE ISRAELITA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE ALBERT EINSTEIN - ENFERMAGEM - São Paulo - São Paulo - Brasil , HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN - - SP - BRASIL

Introdução: O transplante cardíaco (TC) é o tratamento padrão-ouro para insuficiência cardíaca em estágio terminal. Apesar de seus benefícios, complicações, como as neurológicas, estão entre as possíveis dificuldades relacionadas a esta terapia.

Objetivo: Determinar a prevalência, prognóstico e preditores de complicações neurológicas após TC.

Métodos: Foram coletados dados clínicos e de exames complementares de todos os pacientes submetidos à TC ortotópico entre 2007-2017 em um único centro especializado. As complicações neurológicas analisadas foram convulsão, AVC isquêmico e hemorrágico. Realizou-se análise univariada mediante aos testes qui quadrado, t-Student, exato de Fisher e Mann-Whitney. Posteriormente, modelos multivariados de regressão logística foram utilizados para a determinação de preditores independentes. Foram construídas curvas ROC visando estabelecer pontos de corte para variáveis ​​quantitativas que poderiam, com maior acurácia, influenciar a presença de complicações neurológicas. Além disso, mortalidade entre os grupos foi avaliada pela cruva de Kaplan Meier e teste de Log Rank.

Resultados: Foram avaliados 132 pacientes, 73,5% do sexo masculino, com média de idade de 52 anos, e prioritariamente em INTERMACS 3 (78,8%). As principais etiologias incluíram miocardiopatia isquêmica (26,7%), chagásica (26,7%) e idiopática (24,4%). A prevalência de complicações neurológicas após o TC foi de 17,4% (AVC isquêmico 8,7%, AVC hemorrágico 60,9% e convulsões 30,4%), ocorrendo principalmente nos 10 primeiros dias de pós-operatório (71,4%). Na análise multivariada, a diferença de pressão arterial sistólica entre o 3º dia de pós-operatório e o dia pré-TC (delta PO3) (p=0.008; IC95%:1–1.1, OR 1.05) foi o único preditor independente para ocorrência de complicações neurológicas. Um valor de corte superior a 31,9 mmHg do delta PO3 foi o ponto de corte com maior acurácia relacionado ao desenvolvimento de complicações neurológicas (69.6% sensibilidade, 63.6% especificidade; AUROC 0.652).

Com relação ao prognóstico pós-TC, a presença de complicações neurologicas esteve associada a maior tempo de internação hospitalar, (38,6x29,1 dias-p=0.019), porém não esteve relacionada a maior mortalidade no 1º anos pós-TC (p=0.191),

Conclusão: Neste estudo, a prevalência de complicações neurológicas esteve assciada a maior tempo de internaççao hospitala, porém sem impacto na mortalidade entre os grupos. Ademais, a elevação da pressão arterial sistólica no 3º dia de pós-operatório, em comparação ao período pré-TC, foi um preditor independente de complicações neurológicas.

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10 à 12 de junho de 2021