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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Rabdomiólise induzida por baixa dose de estatina, sem alteração de função renal

Verônica de Jesus Oliveira Barreto, Gabriela Menichelli Medeiros Coelho, Thalita Ruolla Barros, Marcos Danillo Peixoto Oliveira
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil

Introdução: 
As estatinas são fármacos de eficácia cientificamente comprovada na redução da mortalidade em doenças cardiovasculares, sendo usadas no tratamento das dislipidemias. Em geral, são fármacos seguros e toleráveis, porém podem causar efeitos indesejáveis, como hepatotoxidade e miopatia, com rara progressão para rabdomiólise e lesão renal aguda (LRA). 

Relato de caso: 
Paciente do sexo masculino, 73 anos, natural do Japão, tabagista (30 maços/ano), acometido por infarto agudo do miocárdio de parede inferior, com intervenção coronária percutânea (ICP) primária da coronária direita. Por tal, iniciou o uso regular de atorvastatina (40mg/dia), além de dupla antiagregação plaquetária, betabloqueador, e inibidor na enzima conversora da angiotensina. Dois meses após, ao ser readmitido para nova ICP estagiada, queixava-se de intensa mialgia em membros inferiores, epigastralgia, inapetência e importante perda ponderal, com substancial elevação dos níveis séricos de creatinofosfoquinase (CPK) em 45713 U/L, sem LRA associada. Após imediata descontinuação da estatina em associação a hidratação parenteral, logrou-se queda progressiva dos valores de CPK, com plena resolução da mialgia. Não foram identificadas outras causas para rabdomiólise durante a internação, como processo infeccioso vigente ou alterações tireoidianas. Paciente seguiu ambulatorialmente, obtendo normalização da CPK, com planejamento de reintrodução de outra estatina no seguimento.

Discussão:
As estatinas são amplamente utilizadas como hipolipemiantes, sendo a rabdomiólise seu efeito colateral mais grave. O diagnóstico é feito através do aumento de enzimas musculares, como a CPK, em torno de dez vezes acima do limite superior da normalidade. O mecanismo da miopatia induzida por esta classe medicamentosa ainda não está bem esclarecido na literatura. O tratamento desta afecção consiste em hidratação venosa vigorosa e precoce (mantida até resolução do quadro) para prevenção de lesão renal, identificação e tratamento de complicações com risco de morte, como hipercalemia, e suspensão de drogas pontencialmente indutoras do quadro. 

Conclusão: 
O uso de estatinas no tratamento de dislipidemias, e no contexto de doença arterial coronariana, é de fundamental importância, porém deve-se sempre atentar para os eventuais efeitos adversos, sendo cautelosos em relação à dose utilizada, além de estar preparado para reconhecer e tratar tais situações.

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