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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

MUDANÇA DE ESTRATÉGIA DE ANTICOAGULAÇÃO APÓS HEMORRAGIA DIGESTIVA POR LESÃO DE DIEULAFOY NA VIGÊNCIA DE ANTAGONISTA DA VITAMINA K

SAMUEL CESCONETTO, GABRIELLE BORTOLI SETTER, FERNANDA BURGER ZIMMERMANN, SERGIO LUIZ ZIMMERMANN, CHRISTIAN DA SILVA DAL PONT
Hospital Santa Isabel - Blumenau - SC - Brasil

INTRODUÇÃO: Pacientes com ritmo de fibrilação atrial (FA) têm risco significativamente maior em relação à população em geral para eventos tromboembólicos. A anticoagulação oral é indicada com base no escore CHA2DS2–VASc. A varfarina é o anticoagulante oral mais utilizado, tendo seu efeito colateral mais temido o sangramento. Novos anticoagulantes orais (NOACs) são tão eficazes quanto a varfarina, possuem maior perfil de segurança, menor índice de interação medicamentosa e alimentar. Dentre os NOACs, há diferenças no perfil de segurança, havendo evidências distintas quanto ao sítios de sangramento.

RELATO DE CASO: Paciente masculino, 69 anos, hipertenso, diabético, dislipidêmico e com FA permanente não valvar anticoagulado com varfarina. Apresentou internação hospitalar devido a hemorragia digestiva alta (HDA) e INR igual a 10,0. Evoluiu com choque hipovolêmico hemorrágico. Endoscopia digestiva alta evidenciou lesão de Dieulafoy com sangramento ativo. Realizada clipagem hemostáti ca com melhora do sangramento. Após melhora do quadro paciente recebeu alta sem anticoagulante devido ao risco aumentado de sangramento, porém vulnerável a eventos embólicos graves conforme escore CHA2DS2–VASc de 3, que estima o risco deste paciente em 3,2% ao ano para acidente vascular cerebral (AVC) e 4,6% ao ano para eventos combinados (AVC, ataque isquêmico transitório e embolia sistêmica). Em consulta com cardiologista ambulatorialmente pós alta hospitalar, foi optado por reiniciar anticoagulação oral, desta vez com Apixabana. No seguimento, paciente sem novos episódios de sangramento digestivo, endoscopia digestiva alta de controle recente sem alterações.

CONCLUSÃO: O risco de sangramento deve ser considerado quando indicada a anticoagulação oral, podendo ser calculado através do escore HAS-BLED. Em paciente com alto risco de sangramento, porém com risco ainda maior para eventos embólicos a decisão terapêutica deve ser adotada em compartilhamento com o paciente e familiares. O sangramento digestivo prévio não contraindica a anticoagulação. O estudo ARISTOTLE fundamentou a decisão pela troca do antagonista da vitamina K pela Apixabana, baseado em melhores índices de proteção para eventos embólicos e menor taxa de HDA major pelos critérios da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH), sendo 0.76%/ano com apixabana e 0.86%/ano com a varfarina. Estratégia que demonstrou sucesso no seguimento após 1 ano neste paciente.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021