SOCESP
10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

USO DO SACUBITRIL VALSARTANA NA CARDIOMIOPATIA PERIPARTO: RELATO DE CASO.

VICTOR RODRIGUES RIBEIRO FERREIRA, Amanda Pupim Assunção Toledo, Maria Fernanda Aguilar de Azevedo, Valéria Braile, Eliana Migliorini Mustafa, Daniela Fontes Araújo
Braile Cardio - São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil, Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto - São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil

INTRODUÇÃO

A cardiomiopatia periparto (CMPpp) é caracterizada por sinais e sintomas de insuficiência cardíaca (IC) associada à redução da função sistólica do coração durante as últimas semanas de gestação até cinco meses após o parto em mulheres previamente saudáveis. Não há dados sobre a incidência na população brasileira, mas observa-se variação de 1 em 4.000 nos Estados Unidos [1]. As incertezas sobre a fisiopatologia se sobrepõem à teoria da inflamação associada ao desequilíbrio angiogênico [2,3].

RELATO DO CASO

ISO, feminina, 29 anos, no 40º dia de puerpério, apresenta cansaço aos esforços e internação por dispneia. Queixa-se de limitação funcional para cuidar de seu bebê, dispneia paroxística noturna e ortopneia. O exame físico revelou taquicardia, turgência jugular, edema de membros inferiores e refluxo hepato-jugular.

Exames complementares revelaram NT-proBNP 10.726pg/ml e cardiomiopatia dilatada com redução da função sistólica (Simpson=24%), função diastólica restritiva, hipertensão pulmonar, regurgitação valvar mitral moderada, além do Strain longitudinal reduzido (-10%).

Logo, foi instituído tratamento farmacológico com baixas doses de Sacutril/Valsartan, Bisoprolol, Furosemida, Espironolactona e Varfarina.

Após 15 dias de tratamento, paciente referiu regressão significativa dos sintomas, com melhora da limitação às atividades cotidianas, sendo possível banhar e adormecer o bebê ao colo. A estratégia terapêutica privilegiou a otimização do sacubitril/valsartana e do bisoprolol sendo que, passados 45 dias, a paciente encontrava-se assintomática, em uso da dose máxima preconizada para o tratamento proposto.

Após 80 dias de seguimento, a nova investigação complementar revelou redução do NT-proBNP para 278pg/ml e ecocardiografia evidenciando normalização da função sistodiastólica (Simpson=56%), além da melhora do Strain longitudinal médio (-24,8%).

DISCUSSÃO

O tratamento da CMPpp segue as premissas da IC com fração de ejeção reduzida, destacando-se a impossibilidade do bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona durante o período gestacional. A imunossupressão e a bromocriptina [4], antagonista dopaminérgico que bloqueia a secreção de prolactina na hipófise, são tratamentos ainda discutíveis.

 

A advento da associação entre sacubitril e valsartana mostra a grandeza do arsenal terapêutico para o tratamento da IC. Após décadas de estagnação, esta inovação vem demonstrar uma nova perspectiva na condução terapêutica dos pacientes. Vale lembrar que o tratamento instituído assegurou o futuro de uma jovem mãe.

Realização e Secretaria Executiva

SOCESP

Organização Científica

SD Eventos

Agência Web

Inteligência Web
SOCESP

41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021