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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

DISSECÇÃO CORONARIANA ESPONTÂNEA E INFARTO MIOCÁRDICO DE SUPRADESNIVELAMENTO ST EM ARTÉRIAS DIFERENTES

FERNANDA ALMEIDA ANDRADE, MICHELLE GONÇALVES BIRTCHE, LUISA BOEING ESMERALDINO, MARIO SALOMÃO CURY PIRES, SELMA GUIMARAES, JOSE FABIO ALMIRO
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil, UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campo Grande - MS - Brasil

Introdução: Dissecção coronariana espontânea (DCE) é causa rara de Síndrome Coronariana Aguda (SCA), responsável por 0,1 a 4,0 % dos casos. Acomete pacientes jovens, com predileção por mulheres. Definida como dissecção não secundária à doença aterosclerótica, dissecção aórtica ou trauma intravascular. Relato de caso: Homem, 42 anos, procurou pronto-socorro com relato de dor de forte intensidade em região precordial, há dois dias, tipo queimação, com irradiação para membro superior esquerdo, duração de 6 horas, em intensidade máxima, associado a náuseas e vômitos, com piora à deambulação. Foi realizado eletrocardiograma (ECG), que não evidenciou alterações sugestivas de isquemia miocárdica, O paciente recebeu medicações para SCA e apresentou melhora parcial dos sintomas. Dois dias depois, evoluiu para novo episódio de dor torácica, tipo A, com ECG revelando supradesnivelamento do segmento ST na parede anterior, associado à elevação dos marcadores de necrose miocárdica (troponina 4174>4151). Cineangiocoronariografia (CATE) evidenciou artéria descendente anterior (ADA) ocluída no terço médio e coronária direita (ACD) com dissecção espontânea. Procedeu-se angioplastia coronariana em terço médio de ADA com sucesso angiográfico e escolha de tratamento clínico para a DCE da ACD. CATE realizado após uma semana revelou fluxo TIMI 3 na ADA e persistência da DCE. Após 3 meses, retornou ambulatorialmente com melhora da DCE. Discussão: DCE é causa rara de eventos cardiovasculares isquêmicos, nos quais as mulheres representam 70% dos casos. A média de idade de apresentação do quadro é de 30-55 anos. A manifestação clínica é variável e depende da artéria coronária acometida e da extensão da dissecção. Manifesta-se usualmente como SCA com ou sem supradesnivelamento do segmento ST, insuficiência cardíaca e morte súbita. A artéria descendente anterior é a mais acometida (cerca de 75%), entretanto, em homens, a coronária direita é mais afetada.Em casos de dissecção uniarterial a intervenção coronariana percutânea é o tratamento de escolha, já em dissecações multiarteriais, insucesso da ICP e acometimento de tronco da coronária esquerda, a cirurgia de revascularização é uma alternativa. Conclusão: A DCE é causa não-aterotrombótica rara e grave de eventos coronarianos agudos. Sua abordagem precoce reduz complicações e melhora o prognóstico. Além do cateterismo, outros estudos de imagem, como a cintilografia miocárdica e a tomografia de coerência óptica (OCT), enriquecem o diagnóstico e são fundamentais para decisão terapêutica e prognóstico.

 

 

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021