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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

HIPERTENSÃO PULMONAR AGUDA APÓS REAÇÃO TRANSFUSIONAL EM JOVEM PUÉRPERA PORTADORA DE ANEMIA FALCIFORME – RELATO DE CASO.

TAVARES, A. C. M. , KLAUTAU NETO, P. B. R., SILVA, R. L., LORENZO, M., HORTEGAL, R. A., ABENSUR, H.
HOSPITAL BENEFICÊNCIA PORTUGUESA - - SP - BRASIL

Introdução: A Hipertensão pulmonar (HP) é reconhecida como complicação severa da Anemia Falciforme (AF) que tem prevalência variando de 10% a 33%, acelerada mortalidade, impacto na capacidade funcional e no prognóstico. O ecocardiograma transtorácico (ECOTT) é o exame utilizado para screening, sendo a HP estimada pela Velocidade de Refluxo Tricúspide (VRT) > 2,5 m/s. A AF gera uma cardiopatia única de padrão restritivo caracterizada por disfunção diastólica, aumento átrio esquerdo e fração de ejeção do VE (FEVE) preservada que resulta em HP secundária e elevada VRT.

Relato de caso: Feminino, 19 anos, primigesta com 37 semanas e antecedente de anemia falciforme diagnosticada em 2016. Foi internada em Março/2021 por quadro de anemia grave (Hb 4,0) e sofrimento fetal agudo. No pós-operatório de cesariana e após hemotransfusão (2 CH), a mesma evoluiu com tosse, dessaturação e desconforto respiratório agudo sendo necessário intubação orotraqueal para estabilização clínica, além de suporte hemodinâmico com droga vasoativa. As hipóteses de COVID-19 e Tromboembolismo pulmonar foram aventadas. Realizada coleta de RT-PCR, cujo resultados foram negativos em dupla testagem, de D-dímero 4.084 ng/ml (VR: < 500 ng/ml) e BNP 693 pg/ml (VR: < 100 pg/ml). O ECOTT evidenciou FEVE de 66% pelo método de Simpson, aumento de câmaras direitas, PSAP estimada de 50 mmHg (VR:< 35 mmHg), IM discreta, IT discreta e derrame pericárdio laminar. A função diastólica não pode ser avaliada por taquiarritmia (FC: 150 bpm). A TC de tórax com contraste mostrou lesão pulmonar aguda associada à transfusão (TRALI).  Na tentativa de extubação, a paciente apresentou crise convulsiva e a TC de crânio mostrou HSA espontânea, permanecendo em tratamento conservador. Com melhora clínica, novo ECOTT foi feito, no qual houve normalização do tamanho de câmaras direitas e redução da PSAP para 29 mmHg, mantendo FEVE preservada e derrame pericárdico laminar. Após 1 mês, a paciente recebeu alta para seguimento ambulatorial. 

Conclusão:  Apesar do diagnóstico definitivo de HP ser feito através do cateterismo direito, o ECOTT, a partir da mensuração da VRT, fornece a estimativa da PSAP e identifica pacientes com cardiopatia falcêmica. Acurácia de predizer HP de 66% - 77% quando VRT > 3 m/s, que aumenta quando associada a quantificação do NT-pro-BP > 164 pg/ml e o TC (teste de caminhada) de 6m < 333m. Felizmente, a paciente apresentou reversão do quadro de hipertensão pulmonar após tratamento adequado, porém deverá manter seguimento clínico para vigilância quanto ao surgimento de complicações devastadoras. 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021