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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Transformando o risco calculado de doença cardiovascular aterosclerótica em percentis de acordo com sexo e idade

Fernando Cesena, Carlos Minnani, Raul Dias Santos
HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN - - SP - BRASIL

Introdução: O uso de escores de risco de doença cardiovascular aterosclerótica (DCVAt) na nossa população apresenta importantes limitações, como a falta de validação e calibração das equações, e a desatualização dos escores com o tempo. Comparar o risco calculado com o de pares do mesmo sexo e idade pode fornecer elementos para uma melhor compreensão do risco. Este estudo teve como objetivo estabelecer percentis da distribuição do risco de DCVAt de acordo com sexo e idade em uma amostra da população brasileira em prevenção primária.

Métodos: Foram incluídos indivíduos saudáveis de 40 a 75 anos submetidos a avaliação rotineira de saúde. Excluímos aqueles com DCVAt, diabetes mellitus ou LDL-colesterol ≥190 mg/dL. O risco de DCVAt em 10 anos foi calculado pelas equações de coorte agrupadas dos EUA e transformado na forma logarítmica (logR). Para cada sexo, utilizamos um modelo de regressão polinomial local (LOESS, span = 0,7) para estimar o logR para cada idade. Os resíduos (valores de cada observação subtraídos do estimado pela regressão) da vizinhança de cada idade foram classificados e utilizados para o estabelecimento dos percentis. O percentil x do logR para uma idade y foi calculado como o logR estimado para a idade y (dado pela regressão) somado ao percentil x dos resíduos na vizinhança de y. O logR foi transformado de volta em risco de DCVAt para a criação de gráficos com linhas de tendência polinomial no Microsoft Excel.

Resultados: A população do estudo compreendeu 16051 indivíduos predominantemente brancos, 67% do sexo masculino, com idade 49 ± 7 anos, colesterol total 205 ± 40 mg/dL, HDL-colesterol 50 ± 14 mg/dL, pressão arterial sistólica 119 ± 13 mmHg (18,5% em uso de anti-hipertensivo) e com 9% de tabagistas. O risco de DCVAt mediano foi de 2,5% (intervalo interquartil: 1,1%-5,0%). As figuras mostram a relação entre idade e risco calculado de DCVAt em homens e mulheres, e as curvas correspondentes aos percentis 10, 25, 50, 75 e 90. Em homens, o percentil 50 nas idades 40, 50, 60 e 70 anos correspondeu a um risco de DCVAt de 1,2%, 4,0%, 10,4% e 22,8%, respectivamente. Em mulheres, os valores correspondentes foram 0,3%, 1,0%, 3,5% e 12,0%.

Conclusões: Estabelecemos percentis de risco de DCVAt de acordo com sexo e idade numa população saudável brasileira. Esta abordagem pode ser replicada em nível local, regional ou nacional com populações representativas. A expressão do risco de DCVAt em percentis pode ser proposta como forma de melhorar a percepção do risco, auxiliando a tomada de decisões terapêuticas e a aderência ao tratamento proposto.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021