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10 a 12 de junho de 2021

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Morte súbita cardíaca abortada em jovem após forma leve da COVID-19

Eduardo Henrique Bonotto, Even Edilce Mol, Laís Contin, Carlos Arthur Hansel Diniz da Costa, Monise Dechechi Dias Bonacina, Thyago Nasser Tümmler, Tiago Augusto Magalhães, Gel Roberto Marmitt Berardi, Rodrigo Sfredo Kruger, Eduardo Leal Adam
HOSPITAL DE CLÍNICAS - UFPR - Curitiba - Paraná - Brasil

Introdução: O acometimento cardiovascular decorrente da infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) é associado a maior morbimortalidade em pacientes hospitalizados com síndrome respiratória aguda grave. No entanto, estudos observacionais com ressonância magnética cardíaca (RMC) demonstram alta prevalência de envolvimento miocárdico subclínico, independente da apresentação inicial da COVID-19 (leve, moderada ou grave), trazendo preocupações sobre possíveis eventos adversos a longo prazo, como disfunção ventricular ou arritmias.

Relato do caso: Homem de 28 anos, com diagnóstico de Doença de Graves com bom controle e histórico de COVID-19 leve confirmado por sorologia há 2 meses – sem necessidade de internação hospitalar na ocasião. Procurou pronto-atendimento devido a palpitações e desconforto torácico iniciados após a COVID-19, porém com piora nas últimas 24 horas. Imediatamente após a admissão, evoluiu com parada cardiorrespiratória em ritmo de fibrilação ventricular, com retorno a circulação espontânea após 6 minutos de ressuscitação cardiopulmonar. Eletrocardiograma após estabilização demonstrava ritmo sinusal, empastamento na porção final do QRS e supradesnível côncavo do segmento ST de 0,5 mm em derivações inferiores, compatível com padrão de repolarização precoce. Exames laboratoriais evidenciaram troponina elevada, com pico de 10.097 pg/mL (referência até 34 pg/mL); TSH, T4 livre e demais exames dentro da normalidade. Ecocardiograma transtorácico demonstrou ventrículo esquerdo com dimensões normais, fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 66%, ausência de alterações na contratilidade segmentar, diástole e ventrículo direito também normais. Submetido a angiotomografia de coronárias que descartou reduções luminais ou anomalias de artérias coronárias. A RMC evidenciou realce tardio pelo gadolínio de padrão mesoepicárdico em parede lateral do ventrículo esquerdo, sugerindo sequela de miocardite subclínica após COVID-19 (Figura 1). Evoluiu sem novas arritmias, sendo submetido a implante de cardiodesfibrilador (CDI) e tratamento medicamentoso com amiodarona, propranolol e enalapril.

Conclusão: A correlação temporal entre a COVID-19 e o início dos sintomas cardiovasculares sugere associação entre as duas condições no caso aqui relatado. No contexto da pandemia da COVID-19, torna-se necessário estabelecer critérios para rastreio de pacientes com doença miocárdica subclínica secundária a infecção pelo SARS-CoV-2, bem como avaliar a possível indicação de terapia medicamentosa cardioprotetora e de estratégias invasivas como o CDI.

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021