SOCESP
10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Origem anômala de coronárias e sua associação com doença isquêmica do coração.

Marins, PHA, Goldbaum, BM, Jreige Jr, A, Habrum, FC, Pinesi, HT, Rached, FH, Favarato, D, Segre, CAW, Garzillo, CL, Serrano Jr, CV
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A origem anômala de artéria coronária (OAAC) é uma entidade rara, acomete até 1,5% da população. A evolução é variável e depende da anatomia relacionada. Para avaliação anatômica utiliza-se a angiotomografia de coronárias (ATC). Apresentamos um caso de OAAC de artéria descendente anterior (ADA) com evolução benigna até o momento.

Relato de Caso: Paciente feminina, 65 anos, com antecedente de hipertensão arterial, diabetes mellitus, obesidade e taquicardia por reentrada nodal. Iniciou seguimento cardiológico devido à arritmia há 10 anos, sendo mantida em tratamento medicamentoso com bom controle sintomático. Há 5 anos, iniciou quadro de dor torácica anginosa associada a dispneia, ambos classe funcional 2. Optado por prosseguir investigação com prova funcional, solicitada cintilografia miocárdica: isquemia estresse induzida de pequena extensão - ântero-lateral segmento basal e ínfero-lateral segmentos basal e médio. Diante da manutenção do sintoma, a paciente recebeu medicação para angina e foi solicitada estratificação invasiva, a cineangiocoronariografia (CATE) que não mostrou lesões obstrutivas, porém origem anômala da ADA, saindo do óstio da coronária direita. Optado por realizar ATC para avaliação de origem e trajeto anômalo. O exame demonstrou: ADA duplicada tipo IV, ramo curto que cursa no terço proximal do septo interventricular emitindo um ramo diagonal; e ramo longo que origina-se do seio coronário direito, acima da comissura da valva aórtica, no óstio da artéria coronária direita (ACD), apresentando angulação aguda (<45 graus) da sua emergência, com morfologia proximal arredondada, de trajeto subpulmonar e intramural no septo que se continua no mesmo até o ápice cardíaco. Ambos os ramos sem redução luminal, seja por aterosclerose ou compressão extrínseca. Diante de anatomia benigna e bom controle sintomático optado por manutenção em tratamento clínico.

Discussão: A OAAC com óstio coronariano em seio coronariano impróprio mais comum é a origem anômala da artéria circunflexa que ocorre em até 0,67% da população, seguida pela ACD originando-se do seio coronário esquerdo encontrada em até 0,17% da população. A origem anômala ADA raramente ocorre em indivíduos com anatomia cardíaca normal, geralmente está associada à tetralogia de Fallot, transposições complexas e dupla via de saída do ventrículo direito. A avaliação da gravidade anatômica através da ATC é determinante para a escolha do tratamento. No caso descrito a anatomia de baixo risco permitiu manter a paciente em tratamento clínico sem a ocorrência de eventos isquêmicos.

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021