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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

DESAFIO DO TRATAMENTO DA FIBRILAÇÃO ATRIAL ASSOCIADA A OBESIDADE: A PROPÓSITO DE UM CASO

Isabelle Oliveira parahyba, Camilla Vilela Vieira, Raphaela Tereza Brigolin Garofo, Gabriela Ribeiro Prata Leite Barros, Bernardo Noya Alves de Abreu, Pedro Paulo Caravatto
HOSPITAL DO CORAÇÃO - - SP - BRASIL

INTRODUÇÃO

Há relatos que o aumento de 1 kg / m² no IMC é associado a um aumento de 4,7% no risco de desenvolver fibrilação atrial (FA), reforçando que a obesidade é importante fator de risco atribuível à FA. A fisiopatologia que sustenta a associação na FA e obesidade ainda é desconhecida, embora seja multifatorial. Atualmente, o tratamento da FA é baseado em anticoagulação, controle do ritmo e da frequência cardíaca. No entanto, faltam recomendações precisas no tratamento da FA em obesos, uma vez que neste grupo existem particularidade na resposta terapêutica, portanto, o manejo é extremamente desafiador.

RELATO DE CASO

Homem de 67 anos acompanhado por insuficiência cardíaca (IC) que foi frequentemente internado por IC descompensada associado à FA com resposta ventricular rápida. Apresentava manejo difícil por apresentar doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) o que dificultou uso de betabloqueadores, além de obesidade grau III (IMC 41,7 kg / m²) com tentativas prévias de emagrecimento sem sucesso. Foi optado por cirurgia bariátrica, realizada em 2019, utilizando a técnica de gastroplastia em Y ROUX. Durante a hospitalização pós-operatória e até um ano após a abordagem, o paciente não manifestou novos episódios de descompensação de IC ou FA.

DISCUSSÃO

Na obesidade ocorre um aumento da pós-carga, e consequente remodelação do ventrículo esquerdo, levando à disfunção diastólica, sistólica e à remodelação do átrio esquerdo. Além disso, o tecido adiposo é responsável pela secreção de citocinas pró-inflamatórias, uma delas é a leptina. Essa molécula desempenha papel crítico na fibrose atrial mediada pela angiotensina II, que por sua vez promove FA, proporcionando assim a ligação fisiopatológica entre obesidade e FA. Diante do exposto, fatores de risco modificáveis como a obesidade são contribuintes potentes para o desenvolvimento e progressão da FA. Portanto, o apoio a perda de peso está intimamente relacionado à melhora dos sintomas em pacientes com FA. Apresentamos um caso em que é notável a melhora após a retirada do fator de risco. No entanto, mais estudos são necessários para determinar o impacto da perda de peso na redução de complicações de longo prazo

CONCLUSÃO

A obesidade é um dos mais importantes riscos cardiovasculares modificáveis. Portanto, quando retiramos esse fator de risco, seja por mudança de estilo de vida, intervenção farmacológica ou intervenção cirúrgica, como no caso elucidado, é possível mudar o curso da doença, melhorar os desfechos e garantir melhor qualidade de vida.

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