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10 a 12 de junho de 2021

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Miocardite pós Infecção por SARS-CoV2: relato de caso

Gabrielly Alves Trigo, Ana Flávia Borges Soares, Larissa Martins Tosta, Maria Luiza Bertozi Francisco , Mariana dos Reis Fortunato, Murilo Luiz Soares Tamburús , Ezio de Martino Neto, Fabio Vieira Fernandes, Fernando de Martino, Paulo Henrique Maia Vilela
Universidade Federal do Triângulo Mineiro - Uberaba - Minas Gerais - Brasil

Introdução: Com manifestações clínicas inconstantes, complicações cardiovasculares têm sido comuns na COVID-19. Relato de caso: Paciente, masculino, 20 anos, sem comorbidades, admitido em pronto socorro com mal-estar e dor torácica anginosa típica, associada a palidez cutânea e náuseas. Encontrava-se eupneico, apresentando boa ausculta cardiopulmonar e sinais vitais normais. Não havia febre ou sintomas gripais. O eletrocardiograma evidenciou supradesnivelamento do segmento ST em parede inferior (DII, DIII, aVF). Solicitado marcadores de necrose miocárdica:  troponina I = 7,1 ng/ml (Ref: 0,05) e CKMB = 27,3 ng/ml (Ref: 3,5). Realizou-se cineangiocoronariografia de emergência, a qual demonstrou ausência de coronariopatia obstrutiva e fração de ejeção preservada (FEP). A ressonância magnética evidenciou dimensões normais das câmeras cardíacas e FEP. Todavia, na parede lateral médio-basal do ventrículo esquerdo foi achado sinal de injúria miocárdica recente (edema) e realce tardio subepicárdico, compatível com fibrose miocárdica e acometimento inflamatório recente.O paciente foi tratado com uma associação de colchicina e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Após dois dias, os níveis dos marcadores cardíacos diminuíram significativamente e o paciente recebeu alta, assintomático. A fim de definição etiológica da miocardite, foi solicitado exames sorológicos, incluindo pesquisa de anticorpos contra SARS-CoV-2, com resultados positivos (IgM e IGg), evidenciando infecção recente. Apesar de não haver sintomas respiratórios, foi diagnosticado miocardite de etiologia viral devido à COVID-19, uma apresentação multissistêmica da infecção. DiscussãoRevisão incluindo 11.685 pacientes, a prevalência combinada de lesão aguda miocárdica em pacientes com COVID-19 foi de 20%. Outro estudo mostrou que pacientes que desenvolviam lesão cardíaca tinham, em média, mais comorbidades e maior idade quando comparados aos que não apresentavam alterações cardíacas. A ação lesiva da COVID-19 que leva à miocardite tem caráter multifatorial e não está totalmente explicada. Sabe-se que, além de gerar um estado de hiperinflamação, o SARS-CoV-2 se liga à enzima conversora de angiotensina II e se infiltra diretamente nas células cardíacas. O tratamento padrão em casos de lesões endomiocárdicas com FEP consiste no uso de AINEs e colchicina, associação que já se mostrou segura e eficaz no tratamento de pacientes com COVID 19. Conclusão: Por ainda ser pouco estudada, a miocardite por SARS-CoV-2 deve ter acompanhamento prolongando a fim de monitorização da evolução tardia dos pacientes. 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021