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10 a 12 de junho de 2021

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Avaliação cardiopulmonar após COVID 19 através da ergoespirometria: seguimento de um ano

Jéssika Mayhara Souza Tolentino, Bruna Cristina Baptistini, Marcelo Nishiyama, Mariana Camponogara, Jessika Aparecida Barbosa
HOSPITAL BENEFICÊNCIA PORTUGUESA - - SP - BRASIL

Paciente PFF, 40 anos, portador de anemia perniciosa, internado no dia 11/05/2020 com quadro de COVID-19, após 72 horas da admissão hospitalar evoluiu com insuficiência respiratória aguda com necessidade de intubação orotraqueal (IOT). Realizada Angiotomografia de Tórax no dia 16/05/2020 que mostrou comprometimento pulmonar difuso e bilateral de aproximadamente 80%. Paciente recebeu antibioticoterapia, corticoterapia e enoxaparina. Evoluiu com melhora clínica, extubado após 9 dias de IOT. Alta hospitalar no dia 03/06/2020, sem necessidade de oxigenioterapia, mantendo dispneia aos pequenos esforços. 

 

 Avaliação da função cardiorrespiratória realizada 43 dias após a alta obteve os seguintes achados: Espirometria de repouso: CVF 3,49 (79% do previsto (PRE)), VEF1 3,18 (93% PRE), VEF1/CVF 100 (122% PRE), sugerindo a presença de distúrbio ventilatório restritivo por provável aumento de recolhimento elástico. TCP: esforço máximo (RER de 1,13), consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.) de 30 ml/min/kg (79% PRE). Achados adicionais demonstraram queda de saturação significativa aos esforços, atingindo valores de 83% (repouso de 95%) e aumento da resposta ventilatória com VE/VCO2 slope de 32. Não foram observados esgotamento de reserva ventilatória ou sinais de aprisionamento aéreo dinâmico ou de limitação ao fluxo expiratório. O limiar anaeróbio foi alcançado com 39% do VO2 máx. PRE. O ponto de compensação respiratório (PCR) foi alcançado com 70% do VO2 máx. PRE. Um ano após a internação, paciente encontra-se assintomático e foi realizado novo teste Cardiopulmonar: Espirometria: Ausência de distúrbios ventilatórios. TCP: esforço máximo (RER de 1,17), VO2 máx. de 35,1 ml/min/kg, estando dentro dos valores de normalidade (84% PRE). Não houve queda da saturação e VE/VCO2 slope igual a 26,1. O limiar anaeróbio foi alcançado com 56% do VO2 máx. PRE. O PCR foi alcançado com 85% do VO2 máx. PRE.No caso relatado, na primeira avaliação, o TCP evidenciou distúrbio de troca ventilatória ocasionado por provável dano inflamatório residual da membrana alveolocapilar envolvido na fisiopatogenia da infecção por SARS COV2. As alterações no TCP, como o VO2 máx. reduzido, VE/VCO2 slope aumentado e dessaturação importante no pico do esforço demonstram comprometimento da função pulmonar. Porém, melhora de todos os parâmetros em exame realizado um ano após. Diante do exposto podemos concluir que o TCP deve ser considerado no acompanhamento pós alta hospitalar dos casos graves de COVID 19 para fins prognósticos e ainda auxiliar no processo de reabilitação destes pacientes. 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021