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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Precisão e calibração do sistema de estratificação de risco EuroSCORE II no Sistema Único de Saúde do Brasil

Rodrigo Morel Vieira de Melo, Tainá T. Viana, Diogo F. C. D. Azevedo, Pedro F. Soares, Luanna M. Damasceno, Maria T. C. F. Fernandes, Arthur C. Tolentino, José V. D. S. Santos, Clara S. Figueiredo, Luiz C. S. Passos
Hospital Ana Nery - Salvador - BA - Brasil

Introdução: Apresentado em 2011, o Euroscore II surgiu como uma remodelação do Euroscore, que foi publicado em 1999 para prever a mortalidade em 30 dias por cirurgia cardíaca. Uma pontuação de risco útil tem boa discriminação e calibração. Mas é preciso investigar sua validade externa, principalmente quando se aplica a populações de países em desenvolvimento, onde os pacientes têm acesso reduzido a procedimentos de alta complexidade e operam em um estágio posterior da história natural da doença.

Objetivo: Avaliar o desempenho do Euroscore II em um centro de referência no nordeste do Brasil com alto fluxo de cirurgia cardíaca.

Métodos: Realizamos uma coorte prospectiva com pacientes submetidos à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea no período de janeiro de 2019 a março de 2021 em um centro terciário do Nordeste do Brasil. Incluímos os pacientes no momento da admissão na unidade de terapia intensiva imediatamente após a cirurgia. A variável de desfecho foi mortalidade em 30 dias. Os pacientes foram classificados como de risco baixo, intermediário ou alto pelos tercis Euroscore II. A calibração foi avaliada pela correlação entre a mortalidade observada e prevista por Hosmer-Lemeshow. A discriminação foi avaliada pela área sob a curva ROC. O teste t para uma amostra foi empregado durante a comparação das taxas de mortalidade observadas e previstas. Significância estatística foi considerada para p <0,05.

Resultados: foram incluídos 937 pacientes, com média de idade de 54 anos (± 14,4), sendo 449 (48,2%) do sexo feminino, 402 (43%) das cirurgias realizadas foram cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) e 535 (57%) foram cirurgia de válvula. Houve diferença entre a mortalidade observada e a mortalidade prevista pelo Euroscore II: 6,5% (IC 95% 5,3 a 7,9) versus 1,99% (IC 95% 1,84 a 2,15); p = 0,04. Também houve diferença no subgrupo de pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio: previsto 1,45% (IC 95% 1,35 a 1,56) versus observado; p = 0,02, mas não houve no subgrupo de cirurgia valvar: previsto 2,28% (IC 95% 2,07 a 2,49) versus observado; p = 0,66. A calibração do EuroSCORE II por grupo de risco é apresentada na Tabela 1. Na discriminação, a área sob a curva (AUC) do Euroscore II foi de 0,73 (IC 95% 0,67 a 0,79); p <0,001.

Conclusão: O EuroSCORE II demonstrou um desempenho de calibração ruim, mas uma discriminação razoável para prever mortalidade cirúrgica em uma população do nordeste brasileiro.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021