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10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

ABSCESSO PERIVALVAR AÓRTICO MIMETIZANDO ANEURISMA DE SEIO DE VALSALVA

RIBEIRO, T.C.S, DOMINGUES, J.L., TORRIERI, R.R., GALI, L.G., ROMANO, M.M.D., SANTOS, M.F.B, VALICELLI, F.H., LIMA FILHO, M.O., SIMÕES, M.V.
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE RIBEIRÃO PRETO - - - BRASIL

CASO: Mulher, 85 anos, apresenta início recente de insuficiência cardíaca (IC) classe funcional IV da NYHA. Ao exame físico: afebril, com sopro protomesossistólico rude, em diamante, 4+/6+ em foco aórtico, FC = 80 bpm, PA = 160 x 68 mmHg, estertores crepitantes bibasais e edema de membros inferiores 2+/4+. Ao ecocardiograma transtorácico (ECOTT) observou-se valva aórtica tricúspide, calcificada, com estenose moderada a acentuada, gradiente pico de 56 mmHg e médio de 36 mmHg, sem disfunção ventricular esquerda, e imagens sugestivas de aneurisma de seio coronariano (ASV). Em angiotomografia de aorta total, obtidas imagens também sugestivas de ASV não coronariano, comunicando-se com a via de saída do ventrículo esquerdo (VSVE). Programou-se implante percutâneo de valva aórtica e oclusão percutânea do ASV. Durante ECOTE para programação cirúrgica, foi visualizada imagem filamentar e hiperrefringente de 16,8 mm, com movimentação caótica, aderida à face ventricular do folheto não coronariano da valva aórtica, sugestiva de vegetação, e neocavidade parivalvar aórtica posterior, com comunicação superior na raiz da aorta e inferior na VSVE, com fluxo turbulento, correspondendo a abscesso perivalvar aórtico drenado. Anamnese dirigida revelou quadro de febre prolongada tratada como pneumonia e antecedendo o início da IC. O diagnóstico final foi de endocardite infecciosa subaguda de valva aórtica complicada com abscesso perivalvar aórtico. 

COMENTÁRIOS: No presente caso, a manifestação predominante da endocardite subaguda foi de IC, associada a abscesso perivalvar comunicando a raiz da aorta com o TSVE. O abscesso perivalvar pode complicar o curso da endocardite de válvula aórtica nativa, sendo encontradoem 30-40% dos casos, aumentando risco de embolização sistêmica, síndrome coronariana aguda e morte. Sua detecção pode ser desafiadora, principalmente em valvas calcificadas ou abscessos não cavitários. No caso apresentado, as imagens iniciais obtidas na angiotomografia de aorta foi sugestivas da presença de ASV, enquanto o ECOTT não foi acurado o suficiente para detectar as vegetações, que foram apenas visualizadas ao ECOTE. Esse caso ilustra que, na suspeita de endocardite, o ECOTE é um método de imagem mais acurado, com sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e negativo de 87%, 95%, 91% e 92%, respectivamente. 

CONCLUSÃO: A endocardite infecciosa subaguda pode exibir um amplo espectro de manifestações e complicações. Na abordagem diagnóstica de multimodalidade, o ECOTE é um método de imagem de alta-resolução com elevada acurácia diagnóstica. 

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021