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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

DROGAS ANABOLIZANTES E INFARTO DO MIOCARDIO: RELATO DE CASO

Ruany Miranda Maldonado, Inácio Antunes Chiconeli, Flávio Henrique Valicelli, Andre Schmidt, Carlos Henrique Miranda, Moyses de Oliveira Lima Filho, Rafael Brolio Pavao , Felipe Araujo Campos
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE RIBEIRÃO PRETO - - - BRASIL

Homem, 35 anos, admitido com dor epigástrica há 23 horas e piora há 6 horas associada a náuseas e vômitos. Negava episódios infecciosos e comorbidades. Exame físico sem particularidades, FC = 78 bpm. PA = 115x75 mmHg. Fazia uso de testosterona250 mg por semana há 10 semanas.

Eletrocardiograma mostrou supradesnivelamento do segmento ST em DII, DIII, aVF, V3R, V4R, comtroponina >40.000.

Submetido a cineangiocoronariografia (CINE) evidenciando circulação coronariana com padrão obstrutivo uniarterial por lesão trombótica aguda de 100% em segmento proximal de artéria coronária direita (ACD). Realizado tentativa de recanalização mecânica com catéter aspirador de trombo mais angioplastia por balão, sem sucesso. (Figura 1 e Figura 2).

Iniciado Tirofiban por 24 horas e anticoagulação plena com Enoxaparina por 1 semana seguido de nova CINE. Ecocardiograma transtóracico (ECO) evidenciou alteração de mobilidade da parede inferior, com disfunção leve do ventrículo esquerdo.

Nova CINE mantendo alta carga trombótica em ACD (Figura 3).

Optado por tripla terapia durante 1 mês (AAS, Clopidogrel e Rivaroxabana). ECO após um mês sem disfunção ventricular, mantendo alteração de mobilidade em parede inferior. Suspenso Rivaroxabana e mantido demais medicações.

Figura 1

Figura 2 

Figura 3

DISCUSSÃO

Os anabolizantes são derivados sintéticos da testosterona, que vem ampliando seu espectro de uso desde os anos 1980. Estão diretamente relacionados ao aumento do risco cardiovascular, principalmente em jovens, e a uma série de lesões cardíacas, como aumento do volume de placas ateroscleróticas coronarianas, maiores níveis de pressão arterial, hipertrofia ventricular, lesão miocárdica direta, infarto por aterosclerose acelerada ou trombose coronariana, arritmias, disfunção biventricular e encurtamento do intervalo QT.

 

CONCLUSÃO

O caso acima traz um alerta acerca dos riscos do uso abusivo de substâncias anabolizantes, devendo sua prática ser desestimulada para fins não medicinais e sob rígido controle do médico especialista. Diversos estudos demonstram números crescentes de usuários de anabolizantes, principalmente pelo livre comércio e acesso dos mesmos. Durante o atendimento e a investigação de jovens pacientes com acometimento cardíaco sem fatores de riscos aparentes, é lido sempre investigar o uso de tais substâncias.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

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