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10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Fístula entre artéria descendente anterior e artéria pulmonar: um relato de caso

Mazetto, AB , Sousa, LM, Carvalho, GD , Planard, GD, Poppi, NT, Mioto, BM
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL, Universidade Nove de Julho - Osasco - SP - Brasil

Introdução: A fístula da artéria coronária (FAC) é definida como uma comunicação direta entre a artéria coronária e uma estrutura cardíaca ou vascular. A etiologia pode ser congênita ou consequente à processos traumáticos e inflamatórios. É uma entidade rara, diagnosticada em cerca de 0,2% dos estudos de cateterismo cardíaco (CATE). A angiotomografia (angio-TC) de coronárias tem ganhado espaço nesse cenário. Relato: Mulher, 58 anos, hipertensa, dislipidêmica e diabética, 3 acidentes vasculares cerebrais isquêmicos prévios. Em primeira consulta ambulatorial, relata que há 3 anos, iniciou quadro de angina típica CCS II/III e dispneia CF II de NYHA. Exame físico sem alterações. ECG: Ritmo sinusal sem sinais de isquemia. Ecocardiograma: Fração de ejeção preservada sem alteração segmentar. O CATE externo demonstrou artéria descendente anterior (ADA) com lesão de 30% em 1/3 médio e ponte miocárdica no mesmo seguimento; presença de fístula entre ADA e tronco da pulmonar com repercussão hemodinâmica (angina). Foi realizada a angio-TC de coronárias em nosso serviço que corroborou o diagnóstico e evidenciou escore de cálcio 38,2 em tronco da coronária esquerda e ADA. A medicação antianginosa e anti-hipertensiva foi ajustada para controle do duplo produto. Discussão: As fístulas da coronária esquerda com comunicação para o tronco da artéria pulmonar, são raras, com poucos relatos na literatura. Dor torácica e insuficiência cardíaca são os sintomas predominantes e o quadro clínico depende da localização e magnitude do fluxo sanguíneo através da fístula. O roubo de fluxo coronário é a principal causa de dor anginosa e evidência de isquemia, embora possa ocorrer isquemia mesmo com baixo fluxo. Dentro do arsenal diagnóstico, o CATE, permite o diagnóstico preciso e orienta o tratamento a ser seguido. A angio-TC de coronárias se destaca pela capacidade em descrever detalhes da anatomia coronariana e sua relação com as demais estruturas do coração. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, considerando as variáveis clínicas e anatomofisiológicasO fechamento percutâneo é uma opção em casos favoráveis e o tratamento cirúrgico deve ser considerado de acordo com a repercussão hemodinâmica da fístula, grau de isquemia miocárdica e risco de complicações, pois possui resultados favoráveis com morbo-mortalidade. Conclusão: As FAC, sobretudo a de ADA para o tronco da pulmonar, são raras. Podem evoluir com graves complicações, além de causar angina de difícil controle. Não há consenso quanto ao melhor tipo de intervenção e não há dados sobre a recorrência da fístula.

 

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021