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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Infarto Agudo do Miocárdio pós COVID-19 em paciente com Diabetes Mellitus tipo II: Relato de Caso

Rodrigo Cunha de Sousa, Mateus Fernandes Alves dos Reis, Michel Hamui Sallum, Lavínia Ayumi Borges Ribeiro, Camila Blanco Ferreira Jajah, Camilla Rodrigues da Costa, João Vitor Tiveron Teodoro, Mariana Santos Teixeira, Vitor R. Dutra
Universidade Federal do Triângulo Mineiro - Uberaba - MG - Brasil

Introdução: Desde o início de 2020, a COVID-19 vem impactando os serviços de saúde no cenário global, sendo frequentes complicações cardiovasculares graves em pacientes com quadros severos da doença. Este estudo é um relato de caso de paciente com infarto agudo do miocárdio (IAM) após infecção por SARS-CoV-2. Relato de Caso: Mulher, 52 anos, portadora de diabetes mellitus tipo II (DM2), transtorno bipolar, depressivo, ansiedade e esquizofrenia, sem história de cardiopatia, apresentou síndrome gripal e foi internada em hospital de referência para COVID-19. Feito RT-PCR para SARS-CoV-2, que confirmou a infecção 17 dias antes da transferência a este serviço. Há 7 dias, apresentou dor torácica típica, evidenciando IAM com supra de ST em parede inferior, foi transferida à UTI e realizada trombólise com alteplase. Manteve-se estável e sem necessidade de ventilação mecânica. Foi transferida a este serviço para realizar coronariografia, que evidenciou coronária direita ectasiada (6,8mm) e ocluída em segmento proximal (imagem 1), ventrículo esquerdo com hipocontratilidade inferior, mas contratilidade global preservada. Devido à evolução tardia, sem novos eventos, optado por alta e acompanhamento ambulatorial. Discussão: O risco de eventos iquêmicos em pacientes com doença arterial coronariana ou fatores de risco cardiovasculares é maior na vigência de infecções agudas. Isso resulta do aumento da demanda miocárdica e das citocinas circulantes, que podem instabilizar placas ateroscleróticas. A infecção pelo SARS-CoV-2 leva à resposta inflamatória sistêmica, descrita como “tempestade de citocinas”, aumentando IL-2, IL-6, IL-7, MCP-1, MIP-1-alfa, TNF-alfa, IP-10, PCR, ferritina e procalcitonina. O dano inclui lesão miocárdica direta, distúrbios do ritmo cardíaco e lesões endoteliais, que favorecem a formação de trombos coronarianos após ruptura de placas. Coorte realizada no Hospital Renmim, de Whuan, com 416 pacientes internados por COVID-19, indicou que 82 (19,7%) apresentaram injúria miocárdica e com mortalidade 51,2% maior que pacientes isentos de tais complicações. 24,4% dos indivíduos com complicações cardíacas apresentavam diabetes mellitus. A paciente do deste estudo apresentava DM2, o que leva a desequilíbrio entre a coagulação e a fibrinólise endógenas, pois é associado a disfunção endotelial e aumento da agregação e ativação plaquetária.  Conclusão: Pacientes com DM2 infectados pelo SARS-CoV-2 devem ser monitorados para desfechos isquêmicos, considerando a associação com complicações tromboembólicas.

Imagem 1: Coronária Direita OcluídaImagem 1: Coronária direita ocluída e ectasiada

 

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