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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Impacto do Gênero na Associação entre a Apneia Obstrutiva do Sono e a Duração do Sono com a Rigidez Arterial: Estudo ELSA-Brasil

Lorenna F. Cunha, Ronaldo B. Santos, Aline N. Aiello, Soraya Giatti, Barbara K. Parise, Silvana P. Souza, Paulo A. Lotufo, Isabela M. Bensenor, Luciano F. Drager
UNIVERSIDADE DE SAO PAULO - São Paulo - São Paulo - Brasil

Introdução: A rigidez arterial é um marcador independente de doença cardiovascular. Vários fatores podem contribuir para o aumento da rigidez arterial, como idade, tabagismo, diabetes e a hipertensão arterial sistêmica. Evidências crescentes sugerem que a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) e que alterações na duração do sono (DS) também podem contribuir para aumentar a rigidez arterial, mas não está claro se esta associação pode ser influenciada pelo gênero. Métodos: Participantes com idade entre 35 e 74 anos, de ambos os gêneros foram incluídos neste estudo. Foram excluídos participantes que apresentaram falhas técnicas na realização dos estudos do sono, apneia do sono de origem central, em tratamento para distúrbios de sono e trabalhadores de turno. Os participantes realizaram uma poligrafia portátil no domicílio por uma noite para a avaliação da presença da AOS (definida por um índice de apneia e hipopneia, IAH, ≥15 eventos/hora de registro). A avaliação objetiva da DS foi realizada com a actigrafia de pulso por 1 semana. A velocidade de onda de pulso (VOP) carótida-femoral foi obtida de forma não invasiva usando um transdutor sensível à pressão. Consideramos o VOP ≥10m/s na análise da rigidez arterial pela associação com um aumento no risco de eventos cardiovasculares. Resultados: Estudamos 1.863 participantes (idade: 49±8 anos, 42,2% homens, 33% AOS, DS: 6,5 (5,9-7,1) horas, VOP médio 9,2±1,6m/s; 25,8% VOP ≥10m/s). A análise de regressão logística multivariada com a amostra total não mostrou associação independente entre o IAH, DS e a presença de rigidez arterial aumentada (VOP≥10m/s). No entanto, na análise estratificada pelo gênero, encontramos uma associação independente entre o aumento do IAH e a presença de rigidez arterial aumentada (VOP≥10m/s) em homens (OR para cada aumento de 1 evento por hora: 1,013; IC 95%: 1,001–1,024), mas não em mulheres (OR: 0,994; IC 95%: 0,979–1,008). Já a DS, a análise de regressão mostrou uma associação independente entre o aumento da DS e a presença de rigidez arterial aumentada (VOP≥10m/s) para as mulheres (OR para cada aumento de 1 hora de sono: 1,272; IC 95%: 1,041–1,555), mas não em homens (OR: 0,963; IC 95%: 0,803–1,155). Conclusões: O aumento da rigidez arterial, um marcador independente de risco cardiovascular, apresentou uma associação distinta dependendo da variável do sono estudada: enquanto a gravidade da AOS foi associada com o aumento da rigidez arterial somente em homens, o aumento da DS esteve independentemente associado com a rigidez somente em mulheres.  

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021