SOCESP
10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Ateroembolismo pós cateterismo cardíaco: Relato de caso

Verônica de Jesus Oliveira Barreto, Anita de Oliveira e Souza Fragoso, Pedro Ivo De Marqui Moraes
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil

Introdução:

A Ateroembolia é uma patologia grave e subdiagnosticada, ocorre em até 2% dos cateterismos cardíacos com uma mortalidade em torno de 70% no primeiro ano após o procedimento. Apresenta-se com quadro clínico bastante variável a depender do local de dispersão dos êmbolos.

 

Relato de Caso:

Homem, 56 anos, múltiplas comorbidades prévias, com cardiopatia isquêmica, submetido a cateterismo cardíaco no contexto de síndrome coronariana aguda, evoluindo 4 dias após o procedimento (realizado por via femoral) com dor intensa, frialdade e cianose em 3º quirodáctilo e hálux de membros esquerdos. Exames complementares evidenciaram leucocitose com eosinofilia, agudização da função renal e hipercalemia com acidose metabólica. Ao Ultrassom Doppler, estenose hemodinamicamente significativa de artéria femoral superficial com oclusão de artéria tibial posterior e, ao Ecocardiograma Transesofágico, placas de ateroma na aorta transversa e descendente com debris móveis e ausência de vegetações ou trombos. Ofertadas medidas de suporte, corticoterapia, estatina e terapia dialítica diante da refratariedade do quadro renal. Quanto a lesão vascular secundária ao evento ateroembólico, instituído tratamento conservador (proteção térmica e analgesia) até sua delimitação final.

 

Discussão:

O ateroembolismo é uma doença multissistêmica caracterizada pela tríade de cianose distal, lesão renal aguda e eosinofilia. Até 25% dos casos ocorrem de forma espontânea, mas na maioria das vezes é uma complicação de procedimentos endovasculares e/ou terapia anticoagulante ou trombolítica, quando êmbolos de colesterol deslocam-se de uma placa aterosclerótica erosada de uma grande artéria (em geral a aorta) e ocluem pequenas artérias e arteríolas em diferentes órgãos, ocasionando infarto isquêmico. Os sintomas clínicos podem desenvolver-se imediatamente após o procedimento vascular, ou podem evoluir lentamente em um período de semanas ou meses. O método diagnóstico mais acurado é a biópsia renal, mas outras possibilidades são a biópsia de músculo/ pele com sensibilidade variável. O tratamento consiste em medidas de suporte e profilaxia de novos eventos. 

 

 

Conclusão:

Por ser uma complicação grave e sem tratamento definido, apresentando prognóstico reservado e índice de mortalidade elevado, é imperativo proporcionar devida atenção em relação aos sinais e sintomas após procedimentos vasculares invasivos, buscando assim reduzir a progressão dos efeitos deletérios do ateroembolismo.

 

 

 

Realização e Secretaria Executiva

SOCESP

Organização Científica

SD Eventos

Agência Web

Inteligência Web
SOCESP

41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021