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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Desfechos nos primeiros 6 meses de vida de crianças com diagnóstico antenatal de cardiopatias congênitas.

Tanaka SN, Chiquillo MPL, Castro ACAV, Roscani MG, Carvalho HT
Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU - UFSCar) - São Carlos - São Paulo - Brasil

Introdução: As cardiopatias congênitas (CC) são defeitos dinâmicos originados no embrião que evoluem na gestação e se alteram durante todo o curso da vida extrauterina. São um grupo complexo de malformações associadas à alta morbidade e mortalidade. Consistem em defeitos na arquitetura cardíaca que interferem na drenagem venosa, septação de segmentos e suas sequências e no funcionamento regular dos aparelhos valvares. Embora a mortalidade infantil tenha diminuído no mundo, a mortalidade por CC aumentou consistentemente em países de baixa e média renda nas últimas décadas. O desenvolvimento de métodos diagnósticos mais sensíveis, rastreio e tratamento cirúrgico precoce possibilitaram o aumento de sobrevida, o que não é a realidade em muitos países com altas taxas de fertilidade e baixo índice de desenvolvimento humano, nos quais 58% dos óbitos poderiam ser evitados caso a tecnologia aplicada nos países ricos estivesse disponível. Métodos: Trata-se de estudo piloto realizado entre 1 de junho e 30 de novembro de 2020, com 44 gestantes com alterações na ecocardiografia fetal (EF). Os recém-nascidos (RN) foram submetidos à ecocardiografia (ECO), divididos em 2 grupos e acompanhados até o sexto mês de vida: 1) RN com EF compatível com CC complexa; 2) RN com exame normal ou CC simples. Os desfechos desfavoráveis foram óbito e/ou necessidade de correção cirúrgica da CC. Foi calculado risco relativo e análise de curva de sobrevida comparando os RN com e sem CC complexa detectada pelo EF. Valor de significância p<0,05. Resultados: Os filhos de todas as gestantes nasceram vivos, sendo submetidos à ECO. Foram detectados 11 portadores de CC (gráfico 1), 7 complexas (3 defeitos do septo atrioventricular total, 2 hipoplasias de câmaras esquerdas, 1 atresia de tricúspide com comunicação interventricular e 1 dupla via de saída de ventrículo esquerdo – gráfico 2), 4 simples e 33 EF normais. Quanto aos desfechos, dos 7 com CC complexas, 4 foram operados nos primeiros 6 meses, e 5 morreram (71,5%: 3 operados e 2 não operados). O risco relativo de mortalidade nos RN com CC complexa comparados aos sem CC grave foi de 0,71 [0,447 a 1,141; p=0,022]. Houve diferença expressiva na curva de sobrevida (Kaplan Meier) no RN com e sem CC (p<0,001). Fatores como número de gestação, idade materna ou fatores de risco materno não tiveram correlação com a incidência de CC ou mortalidade na presente amostra. Conclusão: Mesmo com a detecção precoce de CC complexas no período neonatal, a taxa de mortalidade desse grupo de pacientes permanece elevada.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021