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10 a 12 de junho de 2021

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Disjunção do anel mitral: achado de ressonância cardíaca em paciente com arritmia ventricular

Guilherme Carneiro Adami Ribeiro, Jessica Picinin Cardoso, Milena Miranda Vasconcelos, Andressa Narrara Pinheiro Costa Pucci, Verônica de Jesus Oliveira Barreto, Florence Maria Evangelista Bueno, Raul Serra Valério, Marly Maria Uellendahl Lopes, Maria Eduarda Menezes de Siqueira
UNIFESP - Univers. Federal de São Paulo - São Paulo - SP - Brasil

Disjunção do anel mitral: achado de ressonância cardíaca em paciente com arritmia ventricular

Relato de caso:

Paciente masculino, 43 anos, referindo palpitações frequentes e sensação de pré síncope. Negava uso de medicações contínuas ou patologias conhecidas. Eletrocardiograma:sem alterações relevantes. No Holter 24 horas apresentava extrassístoles ventriculares frequentes e 1 episódio de taquicardia ventricular não sustentada. Ecocardiograma com disfunção ventricular esquerda discreta (50%). Angiotomografia de coronárias prévia não evidenciava doença coronariana obstrutiva. Solicitado ressonância magnética cardíaca para avaliação da causa da disfunção ventricular. Ao exame apresentava discreto espessamento mitral disjunção do anel mitral (deslocamento de 11mm) e prolapso do folheto posterior promovendo insuficiência mitral discreta a moderada e disfunção sistólica discreta do VE (47%). Ausência de isquemia ou áreas de fibrose/necrose miocárdica.         

Discussão:

A disjunção do anel mitral é caracterizada pelo deslocamento superior do átrio no local da inserção no anel mitral, distanciando a base atrial do músculo onde estaria normalmente inserida. Esta condição tem ganhado cada vez mais importância pela associação com arritmias ventriculares complexas e morte súbita. De mecanismo ainda incerto, acredita-se que a degeneração extensa de ambos os folhetos e/ou fibrose dos músculos papilares sejam as causas dessa condição. Os pacientes com arritmias severas: são os mais jovens, com menor FEVE e aqueles com fibrose do músculo papilar. A apresentação clínica mais frequente é a de palpitações taquicárdicas, outras formas como síncope e arritmia ventricular documentada também fazem parte da chamada Síndrome Arritmogênica da Disjunção do Anel Mitral. O diagnóstico é feito pelo ECO ou Ressonância Magnética Cardíaca e é considerado positivo quando a distância da disjunção do anel mitral mensurada nos eixos longos é ≥1mm na sístole. A disjunção do anel mitral (DAM) pode ou não estar associada ao prolapso mitral. Acredita-se que áreas de maior distanciamento são zonas de maior fragilidade mecânica predispondo a arritmias.

Conclusão:

A DAM é uma condição clínica pouco conhecida mas deve ser considerada nos casos de arritmias ventriculares sem outras causas aparentes, principalmente em pacientes jovens. Seu diagnóstico é desafiador e a ressonância magnética cardíaca por ser um método de excelente resolução e sem limitação de janela acústica tem importante papel na avaliação de anormalidades estruturais e reconhecimento desta entidade.

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