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10 a 12 de junho de 2021

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Oclusão subaguda de coronária esquerda após implante de valva aórtica transcateter: Um caso desafiador

Gabriel Kanhouche, Rodrigo Daghlawi Machado, José Carlos Albuquerque da Silva, José Honório Palma, Flavio Tarasoutchi, Tarso Augusto Duenhas Accorsi, Roney Orismar Sampaio, Fabio Sandoli de Brito Jr, Alexandre C. Abizaid, Henrique Barbosa Ribeiro
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução:  O implante transcateter da válvula aórtica (TAVI) tem expandido sua indicação para pacientes com estenose aórtica sintomática importante de vários perfis de risco. Entretanto, algumas complicações podem ocorrer como a obstrução coronária, que apesar de rara, pode ter desfecho fatal.[1] As manifestações clínicas incluem rápida deterioração hemodinâmica, arritmias e disfunção ventricular esquerda nova, geralmente durante o procedimento.[2]Nosso caso descreve o primeiro relato de obstrução coronária subaguda após implante transfemoral de válvula transcateter Inovare, apresentando-se com infarto do miocárdio sem supra-ST (IAMSSST).

Relato de Caso: Masculino, 84 anos, hipertenso, com estenose aórtica importante.  Apresentou nos últimos 4 meses, quadro de dispneia progressiva e um episódio de síncope, sem doença arterial coronariana. O ecocardiograma apresentava parâmetros de estenose importante com fração de ejeção reduzida. A tomografia computadorizada de multidetectores (TCMD) confirmou anatomia adequada para TAVI (Figura 1), de modo que foi implantada uma bioprótese balão-expansível de 26 mm Inovare por via transfemoral (Figura 2). Após a pós-dilatação da bioprótese obteve-se excelente resultado final hemodinâmico, sem regurgitação paravalvar. Após 24 horas de evolução sem intercorrências, paciente apresentou dor torácica típica, sendo diagnosticado IAMSSST. Foi realizado cateterismo cardíaco com USIC, revelando obstrução parcial do óstio do TCE pelo folheto calcificado (Figura 3; Vídeo 1). Foi realizado intervenção coronária percutânea (ICP), usando um stent farmacológico (SF) que se manteve subexpandido mesmo após múltiplas dilatações.[3] (Figura 3; Vídeo 2) Com isso, segundo stent convencional foi implantado intra-stent (“overlapping”) a fim de aumentar a força radial e o USIC de controle confirmou boa expansão do stent (área luminal mínima: 10,5 mm2) (Figura 3; Vídeo 3). O paciente recebeu alta após 7 dias em terapia antiplaquetária dupla e no seguimento de 6 meses encontra-se assintomático.

Conclusão: A melhoria dos dispositivos transcateter e da técnica de implante permitiram a expansão da indicação da TAVI e redução significativa de suas complicações. Apesar disso, complicações como a obstrução coronária ainda podem ocorrer raramente, de forma que futuros refinamentos ainda são necessários para melhor identificação de seus potenciais mecanismos e sua prevenção.

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