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10 a 12 de junho de 2021

Tema Livre

TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

PET-CT COMO ALIADO NO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE MASSA EM PRÓTESE VALVAR

RIBEIRO, T.C.S, MONTEIRO H.Z., SIMÕES, M.V., SCHMIDT, A., ROMANO, M.M.D, GALI, L.G., OLIVEIRA FILHO, E.C., SALGADO, A.M.A., VALICELLI, F.H.
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE RIBEIRÃO PRETO - - - BRASIL

Caso: Mulher, 70 anos, implante de prótese valvar aórtica biológica em janeiro de 2019 por estenose aórtica grave, interna por insuficiência cardíaca com dispneia aos pequenos esforços e edema dos membros inferiores. Ao exame físico, T = 36ºC, apresenta ritmo de fibrilação atrial, sopro sistólico ejetivo 3+/6+ em foco aórtico, FC = 64 bpm, PA = 110 x70 mmHg, crepitações pulmonares bibasais e edema 2+/4+ dos membros inferiores. Ao ecocardiograma transtorácico, verificada disfunção de prótese valvar tipo estenose, com gradiente médio de 18 mmHg. Ecocardiograma transesofágico (ECO-TE) mostra massa aderida ao folheto valvar aórtico relacionado ao septo interatrial, com redução da mobilidade, com suspeitas de trombo, pannus ou vegetação. Apresenta provas inflamatórias e infecciosas normais, com hemoculturas negativas. Estava em uso de edoxabana 60 mg por dia e, pela suspeita de trombose, suspensa esta medicação e iniciada anticoagulação plena com heparina não fracionada. Após 20 dias de tratamento, novo ECO-TE não evidenciou melhora do gradiente e manutenção da massa.

Assim, realizada tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), que evidenciou processo inflamatório/infeccioso em valva aórtica. Novas hemoculturas identificaram Staphylococcus hominis, confirmando o diagnóstico de endocardite infecciosa subaguda de valva protética (EVP). Após 6 semanas de antibiótico, ECO-TE mostrou prótese biológica normofuncionante, isenta de imagens de vegetação ou trombo.

Discussão: o diagnóstico de EVP é desafiador pela apresentação clínica variável e menor sensibilidade dos critérios de Duke. Apesar dos avanços ecocardiográficos, cerca de 30% dos casos podem se mostrar normais ou inconclusivos. Nesse contexto, a PET-CT tornou-se importante método complementar. Estudos evidenciaram ganho na sensibilidade de 70% para 97% para o diagnóstico precoce de EVP quando aliada aos critérios de Duke modificados, bem como nos valores preditivos positivo e negativo (74% para 86% e 60% para 88%, respectivamente), com pouca perda na especificidade (95% para 90%). Em metanálise de 13 estudos, a acurácia diagnóstica foi ainda maior em pacientes com prótese valvar, permitindo a reclassificação de EVP possível para EVP definitiva de 67% para 92%,além de ser útil em evidenciar focos extracardíacos de infecção.

Conclusão: o diagnóstico de EVP é desafiador e apresenta elevada morbimortalidade quando métodos tradicionais não são conclusivos. O uso da PET-CT em casos de alta suspeita clínica é bem definido, com alta acurácia, propiciando tratamento precoce e desfechos favoráveis.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021