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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Area strain derivada do speckle tracking 3D como marcador precoce de cardiotoxicidade em pacientes com câncer de mama tratados com baixas doses de antracíclicos.

Rafael B. Piveta, Marcelo L. C. Vieira, Ana Clara T.Rodrigues, Tania R. Afonso, Tatiana F. G. Galvão, Edgar Daminello, Felipe M. Cruz, Marcelo Katz, Claudio H. Fischer, Samira S. Morhy
HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN - - SP - BRASIL, IBCC - SP - SP - Brasil

Fundamentos:

Avaliar o impacto prognóstico do estudo da deformação miocárdica usando o speckle tracking tridimensional (ST3D) em pacientes com câncer de mama tratados com baixas doses de antracíclicos.

Métodos:

Estudo prospectivo de pacientes com câncer de mama tratadas com doxorrubicina em momento basal, após doses cumulativas de 120 mg/m² e 240 mg/m², e então, em 6 meses e pelo menos 1 ano após o término do tratamento. Troponina I ultrassensível e um estudo ecocardiográfico padrão foi realizado em cada etapa. Foi avaliada a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), o speckle tracking bidimensional com valores do strain longitudinal e radial; e o ST3D com valores do strain longitudinal (SL3D), radial (SR3D), circunferencial (SC3D), torção, twist, rotação e area strain (AS3D).

 

Resultados:

Foram avaliadas 51 mulheres com idade de 50 ± 11 anos, tratadas com doxorrubicina, sendo em 7 associado trastuzumabe. Após baixa dose (120 mg/m²), a AS3D foi o único parâmetro que apresentou alteração mais precoce (p<0,001). Após 240 mg/m², houve elevação da troponina (> 34 pg/mL) em 21 patients (45,7%; p=0,001), a FEVE permaneceu preservada e o strain longitudinal bidimensional apresentou alteração (p<0,001), entretanto, ainda sem critérios de cardiotoxicidade subclínica. O ST3D detectou alterações em diversos índices após a dose de 240 mg/m² de doxorrubicina (SL3D, p=0,002; SR3D, p=0,025; SC3D, p=0,012; AS3D, p<0,001). O seguimento foi de 1,6 ± 0,6 anos, sendo que 7 pacientes apresentaram queda tardia da FEVE, com critérios de cardiotoxicidade definitiva (13%). A AS3D precocemente alterada (valores anormais identificados até a avaliação logo após 240 mg/m² de doxorrubicina) foi o único parâmetro que teve associação com subsequente queda da FEVE (p=0,009)(figura).

Figura: Ecocardiograma tridimensional com análise da fração de ejeção (FE) e com o cálculo da area strain em paciente com câncer de mama sob quimioterapia com antracíclico. Na avaliação basal, pré-quimioterapia, observou-se FE de 0,70 e area strain de -43,5% (A e B). Após dose cumulativa de doxorrubicina de 240 mg/m2, observou-se FE de 0,63 (preservada) e uma alteração significativa da area strain, para -36,2% (C e D). 

 

Conclusão:

Em pacientes com câncer de mama tratados com antracíclicos, a AS3D detectou alterações muito precoces na mecânica ventricular e teve associação com subsequente queda da FEVE. Este achado promissor representa marcador precoce de cardiotoxicidade, identificando um subgrupo de pacientes de maior risco, que podem se beneficiar de tratamento cardioprotetor.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

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