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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Mulher de 40 anos com insuficiência cardíaca aguda pós dengue hemorrágica

Gabriela Rios Catelani, Pietro Melo da Silva, Antonione Lamartini Silva , Guilherme Casale , Meliza Goi Roscani
Universidade Federal de São Carlos - São Carlos - São Paulo - Brasil

Introdução: Infecções graves por dengue podem estar relacionadas a miocardite, porém faltam estudos sobre o tema, principalmente sobre patogênese e incidência, já que a clínica é variável. Relato de caso: Mulher de 40 anos, com obesidade grau III, esteatose hepática e hipotireoidismo, foi admitida em 06/2019 no hospital com quadro de cefaleia, dor retro orbital, febre, mialgia, dor abdominal, vômitos e sangramento de mucosas. Internada com hipótese de dengue hemorrágica, confirmada por sorologia, recebeu hidratação e alta após 48 horas com melhora. Após um mês, iniciou dispneia progressiva aos esforços, tratada como asma em outro serviço, sem melhora. Procurou pronto atendimento do hospital universitário com sinais sugestivos de congestão e aumento do índice cardiotorácico ao Raio-X. Ecocardiograma transtorácico mostrou aumento do volume indexado do átrio esquerdo, dilatação moderada e disfunção diastólica grau III do ventrículo esquerdo (VE), fração de ejeção do VE (FEVE) de 20% e hipertensão arterial pulmonar discreta. Encaminhada ao ambulatório de Insuficiência cardíaca (IC) em 02/2020 sendo tratados os sintomas congestivos (NYHA III) com diurético e iniciado tratamento convencional com losartan, posteriormente substituído por sacubitril-valsartan, carvedilol, espironolactona e digoxina. Estudo hemodinâmico de coronárias sem alterações. Durante os retornos subsequentes, apresentou melhora dos sintomas (NYHA II) e ecocardiograma transtorácico de 11/2020 com FEVE 32% e disfunção diastólica grau II do VE. Ecocardiograma de 04/2021 mostrou melhora da FEVE (47%) hipocinesia do VE com predomínio do segmento apical. Discussão: A dengue possui muitas manifestações atípicas, com destaque à miocardite viral. Relacionamos temporalmente a apresentação hemorrágica de dengue e a apresentação do quadro de IC. Em estudo chinês com 1782 pessoas diagnosticadas com dengue, encontrou-se maior prevalência de sinais e sintomas de IC em pacientes com dengue grave. A hipótese plausível foi de que a dengue causou miocardite viral, gerando sintomas de IC na paciente. Uma limitação é ausência de fácil acesso à ressonância magnética cardíaca para confirmação da miocardite. Nota-se a evolução arrastada da disfunção ventricular, com evolução de 2 anos e recuperação incompleta da FEVE. Conclusão: Faltam estudos com metodologia adequada sobre miocardite viral por dengue. Há relatos variados, porém poucos estudos sobre manifestações cardíacas mais arrastadas da dengue. Este relato objetiva alertar para maior esclarecimento da evolução da IC pós dengue.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

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