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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Paciente com arterite de Takayasu evoluindo para pseudoaneurisma e neocavidade valvar – como manter acompanhamento?

natalie braz fernandes, Natalie Braz Fernandes, Wilson Mathias Jr, Juliana Paes, Fernanda Colombo, Brunna Pileggi
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: Arterite de Takayasu (AT), doença inflamatória crônica progressiva, envolve aorta e seus principais ramos. Ocorre inflamação granulomatosa transmural, podendo causar estenose, oclusão, dilatação e formação de aneurismas. Relata-se caso de paciente evoluindo com hipertensão, formação de pseudoaneurisma e neocavidade valvar.

 

Relato: Paciente 43 anos, sexo feminino, com história de dispneia há 30 anos, diagnosticada na ocasião com hipertensão arterial sistêmica secundária a arterite de Takayasu. Exames de imagem como ecocardiograma transtorácico, ressonância magnética e angiotomografia de aorta, evidenciaram arterite em aorta, formação pseudoaneurismática atrioventricular, neocavidade adjacente ao folheto posterior da valva mitral, aneurisma subvalvar mitral com fístula do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo (46 x 15 mm). Em 2013 apresentou precordialgia típica em contexto de fibrilação atrial e foi diagnosticada com infarto agudo do miocárdio com coronárias normais; aventada hipótese de arterite de coronárias, iniciado anticoagulação com varfarina devido a arritmia. Dois anos após apresentou cefaleia hemicraniana direita; tomografia computadorizada de crânio evidenciou hematoma subdural subagudo. Paciente segue clinicamente estável apesar de episódios dispneicos, em classe funcional NYHA II, com redução luminal em óstio coronariano direito à angiotomografia.

 

Discussão: Clínica variável, processo inflamatório e efeitos sistêmicos desencadeados, com evolução trifásica da doença. Primeira fase: período inflamatório com presença de pulsos e sintomas inespecíficos. Atualmente, inicia-se migração de células inflamatórias através dos vasa vasorum até camada média arterial. Segunda fase exacerba inflamação vascular concentrada na camada média, com carotidínia, destruição das fibras colágenas e migração celular para a adventícia, lesão endotelial inicia processo de estenose, oclusão e dilatação. Última fase fibrótica, com estenose, oclusão ou dilatação aneurismática. Ocorrem alterações isquêmicas secundárias às oclusões arteriais, alteração dos pulsos arteriais periféricos mais freqüente, sopro e frêmito em trajetos arteriais, carótidas sensíveis, parestesias e claudicação em membros superiores.

Hipertensão por estenose da artéria renal na AT é a causa mais comum de hipertensão secundária relatada na Ásia. Medida farmacológica: corticoterapia.

 

Conclusão: Apesar da AT ser doença com prognóstico reservado e complicações, o bom acompanhamento clínico pode cursar com melhor sobrevida.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

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