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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Lesão renal aguda após cirurgia cardíaca em pacientes com taxa de filtração glomerular estimada normal

Patricia Silva de Marco, Mauricio de Nassau Machado, Marcelo Arruda Nakazone, Lilia Nigro Maia
FACULDADE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – FAMERP - - SP - BRASIL

Introdução: Lesão renal aguda (LRA) é uma complicação comum após cirurgias cardiovasculares e associa-se ao risco de eventos adversos. LRA acarreta um pior prognóstico, com mortalidade até 60% maior do que a taxa de mortalidade geral. Até mesmo pequenas alterações na creatinina sérica estão associadas com aumento de mortalidade em 30 dias.

Objetivo: Avaliar a mortalidade em 30 dias e outros desfechos relacionados ao desenvolvimento de LRA associada à cirurgia cardíaca em pacientes com função renal normal no pré-operatório (taxa de filtração glomerular estimada pela equação CKD-EPI [Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration] ≥ 60 mL/min/1,73 m²), utilizando-se a classificação KDIGO (Kidney Disease Improving Global Outcomes).

Métodos: Trata-se de análise observacional retrospectiva de uma coorte de 3029 pacientes submetidos à cirurgia cardíaca (revascularização miocárdica ou cirurgia valvar isoladas) no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2020.  Análise univariada e multivariada de riscos proporcionais de Cox (enter) foi utilizada para determinar a associação entre o desenvolvimento de LRA e mortalidade em 30 dias em pacientes cuja função renal era normal no pré-operatório.

Resultados: Dos pacientes incluídos, 1126 foram submetidos à revascularização miocárdica e 499 à cirurgia valvar isolada (troca ou reparo de valva mitral ou aórtica). Inicialmente eles foram divididos em dois grupos: sem LRA (976) e com LRA (649). Este grupo tinha média de idade maior (60 vs. 56 anos), maior prevalência de hipertensão arterial sistêmica (74% vs. 66,8%), de diabetes mellitus (30,4% vs. 24,2%) e de obesidade – índice de massa corpórea >= 30 (27% vs. 20,8%), com P < 0,006 para todos. A mortalidade global em 30 dias foi de 4,2%, sendo de 1,6% nos pacientes sem LRA e de 4,6%, 16,7% e 56,7% para os pacientes com LRA KDIGO 1, 2 e 3, respectivamente (P<0,001).  A análise ajustada de regressão de Cox mostrou que a LRA baseada nos critérios KDIGO (estágios 1 a 3) foi um preditor independente de mortalidade em 30 dias (Hazard ratio=2,39, 7,09 e 22,54 respectivamente) com valor P <0,007 para todos.

Conclusão: Na população estudada o desenvolvimento de LRA no pós-operatório de cirurgia cardíaca em pacientes com função renal basal normal foi preditor independente de óbito em 30 dias, com maior representatividade dos grupos com LRA mais grave (KDIGO 2 e 3).

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021