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10 a 12 de junho de 2021

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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Síndrome de Takotsubo na COVID-19

Giovanna Rolim Pinheiro Lima, Carlos José Mota de Lima, André Bessa Aguiar, Leticia Cavalcante Lócio, Rodrigo Carvalho Paiva, Luiz Gerson Gonçalves Neto, Maria Beatriz Bezerra Pereira, Ana Yasmin Mapurunga Perdigão, Pedro Henrique Cardoso Nogueira, Carlos Alexandre Leite Pereira Filho
UNICHRISTUS - Fortaleza - Ceará - Brasil

Introdução: A síndrome de Takotsubo, também conhecida como cardiomiopatia de estresse, é caracterizada por uma disfunção contrátil do ventrículo esquerdo (VE) aguda e transitória, frequentemente relacionada a um evento estressante emocional ou físico. Sua apresentação clínica é indistinguível de um infarto do miocárdio, com alterações no eletrocardiograma (ECG) e elevação das enzimas cardíacas. Essa síndrome foi recentemente relatada em associação com a COVID-19, relacionada tanto com o estresse crônico atribuído à pandemia quanto a hipoxemia associada a pneumonia viral.

Relato de caso: O presente artigo relata o caso de uma mulher, de 74 anos, hipertensa e diabética, que, durante a pandemia da COVID-19, deu entrada na emergência referindo epigastralgia há 10 dias, com piora do quadro no dia da admissão, associando-se à dispneia leve, náuseas e vômitos. 

Ao exame físico, apresentou sinais vitais estáveis e crepitações em bases pulmonares. Paciente foi submetida ao ECG que evidenciou ritmo sinusal e inversão da onda T em parede anterior, além de exames laboratoriais com troponina elevada. O ecocardiograma (ECO), ainda, revelou hipocinesia ântero-apical com fração de ejeção do VE preservada.

Posteriormente, evidenciou-se que a paciente apresentava padrão respiratório comprometido, evoluindo com hipoxemia desproporcional e aumento progressivo da necessidade de oxigênio. Levando em conta o momento epidemiológico pandêmico, realizou-se SWAB de orofaringe positivo para SARS-CoV-2 e tomografia de tórax que apresentava derrame pleural bilateral e imagem de vidro fosco bibasal sugerindo acometimento viral por COVID-19. Iniciou-se, portanto, tratamento com levofloxacina e prednisona. 

Em seguida, a paciente foi submetida ao cateterismo cardíaco que evidenciou coronárias sem lesões obstrutivas significativas. Na ventriculografia observou-se hipercinesia basal e acinesia apical, apresentação típica de cardiomiopatia de Takotsubo. Então, iniciou-se tratamento com aspirina, metoprolol, captopril, furosemida e atorvastatina. No oitavo dia de internação, apresentou ainda episódio de flutter atrial, revertido com emprego de amiodarona.

Realizou novamente, após 15 dias de sua alta, ECG e ECO, os quais demonstraram resultados em normalidade, evidenciando recuperação da função dos ventrículos e o diagnóstico da síndrome de Takotsubo. 

Conclusão:A abordagem diagnóstica neste cenário clínico, envolvendo eventualmente a realização de cateterismo cardíaco, deve ser individualizadaconforme a condição clínica do paciente e o risco de transmissão da doença.

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021