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10 a 12 de junho de 2021

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Endocardite por Coxiella burnetii: quando devemos pensar em seu diagnóstico e como alcançá-lo?

Marjorie Hayashida Mizuta, Cristhian Vicente Espinoza Romero, Santiago Andres Castro Vintimilla, Tatiana de Carvalho A. Torres Leal, Paulo Rogério Soares, Alexandre de Matos Soeiro
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A endocardite infecciosa (EI) por Coxiella burnetii representa uma zoonose com raros relatos no Brasil. O quadro clínico é frustro distinguindo das outras formas de endocardite e, por se tratar de um microorganismo intracelular obrigatório, as hemoculturas (HMC) são predominantemente negativas, dificultando o diagnóstico destes indivíduos. Relato de caso: Paciente de 25 anos do sexo feminino compareceu à Unidade de Emergência com quadro de lesões eritematosas em membros inferiores e superiores associadas a febre baixa intermitente há 8 meses, com resolução após tratamento com cefalexina. Referia antecedente de duas trocas na valva mitral por prótese biológica por doença valvar reumática, sendo a última em 2017. Não apresentava alterações ao exame físico. Ecocardiograma transtorácico mostrava prótese biológica mitral com espessamento dos seus folhetos com aspecto de pannus, não sendo possível descartar vegetação. Nesse momento, feita a hipótese de EI e solicitados 3 pares de HMC e ecocardiograma transesofágico (ETE). Exames laboratoriais mostraram leucócitos de 6720/mm3, velocidade de hemossedimentação 18 mm, proteína C-reativa de 18 mg/dl, urina I e perfil hepático normais. Como o resultado das HMC não mostrou crescimento de microorganismos, foi optado por solicitar sorologias para Coxiella burnetii e Bartonella henselae. Realizou ETE que mostrou imagem ovalar, de bordos bem definidos, aderida a face atrial da base do folheto posterior, medindo 11x5mm podendo corresponder a vegetação ou fio de sutura com fibrina, sem disfunção da prótese mitral. A sorologia foi reagente para Coxiella burnetii, sendo iniciados tratamento com Ciprofloxacino por 7 dias associado a Doxiclina e Hidroxicloroquina por 18 meses. Foi solicitado tomografia por emissão de pósitrons (PET) que mostrou atividade inflamatória na região valvar, porém com a possibilidade de processo infeccioso em resolução. A paciente evoluiu com estabilidade hemodinâmica, afebril, com melhora dos parâmetros inflamatórios. Discussão: Há poucos relatos de EI por Coxiella burnetii no Brasil. O diagnóstico se torna um desafio pois difere das formas clássicas de EI agudas e subagudas causadas por outras bactérias. Nesse contexto, a sorologia e o PET podem ser ferramentas interessantes para o diagnóstico precoce da doença. Conclusão: A EI por Coxiella burnetii apresenta alta mortalidade quando não tratada precocemente. Dada a dificuldade diagnóstica, exames extra habituais podem auxiliar no diagnóstico mais preciso da doença, evitando desfechos letais.

 

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41º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

10 à 12 de junho de 2021